Com alta de 109%, lares de um só morador impulsionam apartamentos compactos em João Pessoa

(Foto: Divulgação)

A capital paraibana vive uma transformação estrutural que vai além do “boom” populacional. A crescente tendência de moradores que vivem sós está alterando o planejamento estratégico da cidade e das grandes construtoras. De bairros tradicionais a novas áreas da orla, a arquitetura e o comércio local se adaptam para atender a essa demanda que começa a ditar o novo ritmo de crescimento e consumo em João Pessoa.

Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.

Na Paraíba, o número de domicílios com apenas um morador mais que dobrou em 12 anos. Em 2022, eram 225.195 residências unipessoais, um aumento de 109,7% em relação a 2010, segundo dados do IBGE. Elas representam 16,5% das unidades domésticas no estado. No Brasil, o movimento também é expressivo, com crescimento consistente na proporção de moradias individuais na última década.

Mudanças demográficas não ficam restritas aos números: elas se refletem na forma como a cidade cresce, se organiza e passa a funcionar.

De tendência comportamental a diretriz de mercado

Para o engenheiro civil Riccelly Lacerda, CEO da Bloco Construções, a mudança deixou de ser tendência para se tornar diretriz estratégica.

“O planejamento deixou de ser focado apenas na unidade habitacional para priorizar o estilo de vida. Essa transformação ganhou força quando os dados demográficos confirmaram o encolhimento das famílias”, afirma.

Segundo ele, a estratégia atual da empresa parte da flexibilidade: atender tanto o investidor de locação de curta temporada quanto o morador solteiro que prioriza localização estratégica e conveniência.

Empreendimentos com unidades entre 28 e 56 metros quadrados dialogam com esse novo público, mas, de acordo com o executivo, a mudança é mais profunda do que a metragem.

Nova lógica de projeto: o ecossistema urbano

“O que está acontecendo é uma mudança estrutural. Estamos falando de uma nova lógica de ecossistema urbano”, explica Riccelly.

A integração de ambientes — conceito open concept — ganha protagonismo. Cozinha, sala e varanda se fundem para ampliar a percepção de espaço e funcionalidade. A tecnologia também deixa de ser diferencial e passa a ser infraestrutura básica, com fechaduras eletrônicas, automação residencial e áreas comuns com Wi-Fi de alta performance.

Outro ponto central é a ampliação das áreas compartilhadas como extensão do apartamento. Coworkings substituem o escritório improvisado no quarto. Lavanderias compartilhadas e espaços de conveniência atendem à rotina acelerada. Áreas gourmet deixam de ser apenas lazer e passam a funcionar como espaços de convivência qualificados.

Adensamento inteligente e cidade mais funcional

O crescimento desse público também influencia o modelo urbano da capital.

“O aumento de moradores solteiros favorece o adensamento em bairros que já possuem infraestrutura, como Manaíra e Altiplano. Isso evita a dispersão horizontal, que é mais cara e menos sustentável”, destaca o CEO da Bloco.

O movimento impulsiona a verticalização e fortalece o conceito de fachadas ativas — prédios com comércio no térreo e serviços integrados — estimulando uma rotina com deslocamentos mais curtos e maior autonomia no dia a dia.

Impactos econômicos ampliados

A transformação provocada pelo crescimento das moradias unipessoais não se limita ao desenho dos empreendimentos. Ela repercute na dinâmica econômica da cidade como um todo. Quem vive sozinho demanda imóvel próprio, contrata serviços individualmente, consome experiências com maior frequência e toma decisões de consumo de forma autônoma.

Esse perfil amplia a procura por coworkings, academias, restaurantes, delivery, serviços de lavanderia e soluções tecnológicas, além de representar um público relevante para o mercado de locação de curta temporada. Cada novo morador individual movimenta a economia de maneira descentralizada, distribuindo consumo por diferentes setores e estimulando a consolidação de bairros mais completos e funcionais.

João Pessoa, nesse contexto, cresce não apenas em número de habitantes, mas em unidades independentes de decisão e consumo. O avanço desse perfil indica uma capital mais vertical, mais conectada e orientada à conveniência urbana — um movimento que o mercado imobiliário já incorporou às suas estratégias de planejamento.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Acessar o conteúdo