PF amplia Operação Compliance Zero e prende banqueiro por suspeita de chefiar esquema bilionário

Terceira fase da ação aponta fraudes financeiras, cooptação de servidores do Banco Central e atuação de grupo armado para intimidar adversários

Foto: Reprodução

A terceira etapa da Operação Compliance Zero resultou, na manhã desta terça-feira (03), na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e no avanço das investigações contra outros sete suspeitos. A ação apura a existência de uma organização criminosa com atuação em fraudes financeiras, cooptação de servidores públicos e supostos atos de intimidação contra concorrentes e jornalistas.

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Ao todo, quatro investigados tiveram prisão preventiva decretada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob justificativa de “perigo concreto” na manutenção da liberdade.

Segundo a Polícia Federal, o grupo seria liderado por Vorcaro, apontado como responsável por coordenar ao menos quatro núcleos distintos dentro da estrutura investigada. Ele é dono do Banco Master.

Estrutura do grupo

De acordo com a PF, o esquema envolveria desde articulações financeiras até a formação de um suposto “braço armado”, destinado ao monitoramento e à intimidação de pessoas consideradas adversárias do grupo.

Entre os presos está Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como responsável pela intermediação e operacionalização de pagamentos da organização. Conforme as investigações, ele teria estruturado contratos simulados para justificar repasses a um servidor do Banco Central, além de viabilizar transferências destinadas à chamada “Turma”, núcleo que funcionaria como braço operacional de coerção.

Também foi preso Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, identificado como integrante desse grupo. Para os investigadores, ele utilizava sua experiência e contatos para coletar informações sensíveis, realizar monitoramentos e antecipar possíveis riscos decorrentes de investigações ou reportagens.

Outro alvo de prisão é Luiz Phillipi Mourão, descrito pela PF como coordenador da “Turma” e responsável por ações de vigilância e levantamento de dados sobre concorrentes, ex-funcionários e jornalistas. As apurações indicam que ele teria recebido valores elevados para desempenhar essas atividades, incluindo consultas a sistemas restritos e tentativas de remoção de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo.

Servidores afastados do Banco Central

A operação também atingiu dois ex-integrantes do Banco Central do Brasil, afastados de suas funções e submetidos ao uso de tornozeleira eletrônica.

Paulo Sérgio de Souza, ex-chefe-adjunto de Supervisão Bancária, é suspeito de atuar informalmente como consultor estratégico do Banco Master, orientando o banqueiro em reuniões institucionais e na elaboração de documentos relacionados a processos administrativos.

Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, também teria prestado consultoria semelhante, segundo a PF. Ele é investigado por revisar comunicações destinadas ao próprio Banco Central e auxiliar na definição de estratégias institucionais do banco privado.

Contratos e movimentações financeiras

O advogado Leonardo Palhares foi alvo de medida cautelar com monitoramento eletrônico. Conforme a investigação, ele teria formalizado contrato que dava aparência de legalidade à contratação de um dos servidores, permitindo a intermediação de pagamentos por meio de pessoa jurídica.

Ana Claudia Queiroz de Paiva, igualmente submetida ao uso de tornozeleira, é apontada como responsável pela gestão de transferências financeiras vinculadas à estrutura investigada. Ela seria sócia de uma das empresas utilizadas para movimentação de recursos do grupo.

Investigação segue em andamento

Em nota, a Polícia Federal afirma que o grupo atuava de forma coordenada, com tentativa de influenciar agentes públicos e enfraquecer investigações em curso. A corporação sustenta que a estrutura buscava manter atividades ilícitas por meio de pressão, coação e uso indevido de informações estratégicas.

A Operação Compliance Zero segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

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