Paraíba cresce acima da média nacional, mas população ainda demora a sentir melhora no bolso

Comércio, serviços e indústria avançam no estado, porém renda e custo de vida ainda limitam percepção de recuperação econômica

(Foto: Reprodução)

Enquanto indicadores nacionais apontam melhora na economia brasileira, na Paraíba os números têm avançado em ritmo ainda mais acelerado. Mesmo assim, boa parte da população ainda não percebe essa recuperação no orçamento doméstico. Segundo o economista Alexandre Nascimento, o estado vem superando a média nacional em diferentes setores. “A Paraíba não apenas acompanha a melhora dos indicadores nacionais, como em muitos casos tem superado esse desempenho médio”, afirma.

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De acordo com ele, as projeções indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual entre 2,7% e 3,4% no período recente, acima da média brasileira. O setor de serviços, que representa cerca de 80% da economia paraibana, é o principal motor dessa expansão e deve fechar com alta de 5,7%, mais que o dobro do crescimento nacional no segmento.

O comércio também apresenta desempenho expressivo. “O varejo da Paraíba cresceu 4,8%, enquanto no Brasil esse número ficou em torno de 1,6%, segundo dados do IBGE”, destaca o economista. Já a indústria estadual avançou cerca de 4,4%, colocando o estado entre os destaques do Nordeste.

Emprego cresce, mas renda ainda não acompanha

Apesar do cenário positivo, a sensação de melhora ainda não chegou de forma plena às famílias. A explicação passa por fatores como inflação acumulada, renda e custo de vida. “A economia melhora primeiro nos números. Só depois esse impacto é percebido pela população”, explica Nascimento.

Ele ressalta que, embora a inflação tenha desacelerado, isso não significa queda nos preços. “Quando dizemos que a inflação está diminuindo, não quer dizer que os preços estão caindo, mas que estão subindo em ritmo menor”, pontua

O mercado de trabalho formal avançou. A Paraíba encerrou 2025 com cerca de 550 mil empregos formais, segundo dados da Fecomércio-PB citados pelo economista. Ainda assim, os ganhos salariais reais não evoluíram no mesmo ritmo da geração de vagas. “Os salários, tanto nominais quanto reais, ainda não impactaram de forma significativa. E isso pesa muito na percepção das famílias”, afirma.

Outro fator que influencia essa percepção é o aumento do custo de vida, especialmente em João Pessoa. O crescimento do turismo e a expansão do setor imobiliário têm pressionado preços em áreas como moradia e serviços. “O turismo traz dinamismo, mas também pode elevar preços em alguns setores. Isso acaba pressionando o orçamento das famílias”, explica o economista.

Desafios estruturais persistem

Apesar do ciclo de crescimento, a economia paraibana ainda enfrenta entraves estruturais. Um deles é a baixa participação da indústria no PIB estadual, cerca de 15%, abaixo da média nacional, que gira entre 20% e 22%. “A indústria é fundamental porque puxa diversificação e tecnologia. Precisamos avançar mais nesse setor”, avalia Nascimento.

O estado também lida com desafios logísticos e de infraestrutura. Embora o Porto de Cabedelo tenha passado por modernizações recentes, ainda enfrenta forte concorrência regional, especialmente do Porto de Suape.

Há ainda a dependência histórica do setor de serviços, que, segundo o economista, costuma oferecer empregos com menor qualificação e salários mais baixos, tornando a economia mais vulnerável aos ciclos de consumo.

Perspectiva de crescimento sustentável

Mesmo com os desafios, o cenário é considerado promissor. A massa salarial anual média no estado chegou a aproximadamente R$ 24.395, com alta nominal próxima de 12% em dois anos. “Já existe um impacto concreto na renda e no emprego, embora ele ainda seja desigual entre os setores. Se esse crescimento continuar sustentável, a tendência é que fique cada vez mais perceptível para a população”, conclui.

 

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