82% dos americanos rejeitam declaração de que inflação foi “derrotada” por Trump

Foto: Reprodução/Flickr/White House

Levantamento divulgado pela Reuters/Ipsos mostra que o otimismo do presidente Donald Trump sobre a economia dos EUA não é compartilhado pela maioria da população. A pesquisa destaca a desconexão entre a visão da Casa Branca e a percepção dos americanos, um fator relevante para as próximas eleições de meio de mandato.

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De acordo com a Reuters, que realizou o estudo em parceria com o instituto Ipsos, 68% dos entrevistados discordam da afirmação de que “a economia dos EUA está em expansão”, declaração repetida por Trump desde que retornou ao poder, em janeiro de 2025. A pesquisa foi realizada de forma online com 4.638 adultos em todo o país e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais.

Em discurso sobre o Estado da União na terça-feira (24), Trump afirmou: “Esta é a era de ouro da América” e acrescentou: “A economia vibrante está mais forte do que nunca”. As declarações reforçam a narrativa do governo de que a inflação foi controlada e que o país vive um ciclo de prosperidade.

Os números do levantamento, porém, mostram divisão inclusive entre os republicanos. Entre os eleitores do partido do presidente dos Estados Unidos, 56% avaliam que a economia está em expansão, enquanto 43% discordam dessa leitura. O dado é visto como sinal de alerta para a legenda, que defenderá suas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de 3 de novembro.

O custo de vida aparece como a principal preocupação do eleitorado. Os entrevistados indicaram que esse será o tema decisivo na hora do voto. A maioria também rejeitou a afirmação de que a inflação deixou de ser um problema — posição defendida por Trump no mês anterior, quando declarou que “a inflação foi derrotada” e que os americanos enfrentam “praticamente nenhuma inflação”.

Apenas 16% concordaram com a ideia de que “há praticamente nenhuma inflação nos EUA”. Ao todo, 82% discordaram dessa afirmação, incluindo 72% dos republicanos e a mesma proporção de eleitores independentes. Entre os democratas, a rejeição à tese de um “boom” econômico ou de inflação controlada foi ainda mais expressiva.

Em Dickson, no Tennessee, o trabalhador do setor industrial Marcus Tripp, de 53 anos, afirmou que gostaria que o governo priorizasse a economia. “A economia é no que ele precisa se concentrar”, disse. Ele relatou dificuldades financeiras mesmo vivendo em uma casa com duas fontes de renda: “Mesmo sendo uma família com duas rendas, estamos enfrentando dificuldades”. Tripp acrescentou que sua principal preocupação está nos gastos crescentes: “Estou mais preocupado com o quanto meu aluguel e tudo o mais estão subindo do que com saber se o vizinho tem documentos de cidadania ou não”.

A pesquisa também mostra que muitos americanos desconhecem propostas apresentadas pela Casa Branca para conter o custo de vida. Cerca de 44% disseram nunca ter ouvido falar do plano que busca restringir grandes investidores na compra de casas unifamiliares. Outros 48% afirmaram desconhecer a proposta de limitar os juros de cartões de crédito a 10%.

Em contrapartida, a política de aumento de tarifas sobre produtos importados é amplamente conhecida: 78% afirmaram ter ouvido ao menos algo sobre a medida. Ainda assim, 54% dos entrevistados — incluindo 69% dos democratas e 42% dos republicanos — acreditam que as tarifas tendem a elevar o custo de vida.

No Texas, a eleitora independente Tiffany Ritchie, de 50 anos, que votou em Trump em 2024, demonstrou frustração com a condução da política econômica. “Não estou impressionada com o que está acontecendo internamente”, afirmou. Ela também criticou a estratégia baseada em tarifas ao declarar: “Não vamos sair dessa apenas com tarifas”.

Especialistas ouvidos pela agência avaliam que o crescimento econômico pode registrar leve aceleração ao longo do ano, mas não projetam uma expansão robusta. O cenário revelado pela pesquisa indica que inflação, preços e poder de compra devem dominar o debate político nas eleições legislativas dos Estados Unidos.

Crédito: Brasil 247

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