Em evento promovido pela Esfera Brasil em São Paulo, os presidentes nacionais do PL e do União Brasil confirmaram que vão obstruir a proposta de fim da escala 6×1. Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda declararam, nesta segunda-feira (23), que a iniciativa é contrária aos interesses do setor produtivo e prometeram mobilizar suas bases contra a pauta, que conta com o apoio do governo Lula. As informações são do Valor Econômico.
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Diante de uma plateia formada por empresários e representantes do setor produtivo, os dois dirigentes partidários defenderam que a rejeição do texto aconteça já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, com o objetivo de evitar que a discussão chegue ao plenário. Embora tenham sustentado que a proposta pode prejudicar a economia e elevar a inflação, reconheceram que, pelo apelo popular do tema, parlamentares que buscarão a reeleição tendem a resistir a votar contra uma mudança na jornada de trabalho.
A sinalização política tem peso numérico. Juntos, PL e União Brasil reúnem 145 deputados, o que amplia a capacidade de articulação para travar ou atrasar a tramitação de matérias que mexem diretamente com o mundo do trabalho e com custos empresariais. Ainda assim, o discurso dos dirigentes expõe uma tensão: de um lado, o interesse de segmentos do empresariado em bloquear a iniciativa; de outro, o risco de desgaste eleitoral para congressistas que se oponham abertamente a uma pauta de forte ressonância social.
Estratégia declarada: “segurar” na CCJ e impedir votação
Valdemar Costa Neto disse que a orientação é atuar para que a proposta não avance e, se possível, nem seja votada. Em uma das falas centrais do encontro, o presidente do PL afirmou: “Vamos trabalhar para não deixarmos votar. Vamos trabalhar para isso, dar a vida para isso”. Segundo o relato, parte dos presentes aplaudiu a declaração.
O dirigente também indicou o caminho institucional que pretende acionar, afirmando que a ideia é procurar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e concentrar esforços para conter a proposta na comissão responsável por avaliar constitucionalidade e admissibilidade. Conforme descrito, a intenção seria “segurar isso aí na CCJ”, numa movimentação que busca impedir que a matéria avance para o plenário.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, adotou tom semelhante, reforçando a tática de atrasar a tramitação e construir uma barreira interna na comissão. Ele afirmou que o esforço será “para a gente ir ‘barrigando’ isso aí” e “construir uma blindagem dentro da CCJ”, evitando que o tema chegue ao plenário. Ao apresentar o debate como disputa de cálculo político, Rueda também atacou a motivação da proposta, dizendo que ela “tem como finalidade colher resultado eleitoral” favorável ao governo.
Argumento econômico e críticas à proposta
No centro da crítica feita pelos dirigentes está a tese de que o fim da escala 6×1 produziria efeitos negativos sobre a economia, com impacto sobre preços e custos. Rueda classificou a iniciativa como nociva ao setor produtivo e vinculou a discussão ao calendário eleitoral. Em uma das declarações reproduzidas, ele afirmou: “Essa proposta é muito danosa para a economia e o setor produtivo. Ela é posta no ano eleitoral. A gente tem que ter inteligência e perspicácia para, dentro da política e do diálogo, tentar segurar essa proposta. É um desatino para a economia. Quem vai pagar essa conta é o consumidor, com a inflação”.
Atualmente, tramitam na Câmara duas propostas de emenda à Constituição que defendem a diminuição da jornada de trabalho, hoje limitada a 44 horas semanais, sem redução salarial. Representantes do setor produtivo sustentam que a mudança pode ampliar custos e provocar cortes de vagas.
O governo do presidente Lula, que planejava enviar ao Legislativo uma proposta própria, avalia agora a possibilidade de desistir da iniciativa, mas mantém como ponto central da pauta a adoção da escala 5×2, com jornada de 40 horas semanais e sem redução de salário.
Com PL e União Brasil somando 145 deputados, a disputa em torno da escala 6×1 deve se intensificar nas próximas semanas, especialmente na CCJ, onde os dirigentes já declararam que pretendem concentrar esforços para barrar o avanço da proposta.
Crédito: Brasil 247