A carteira de crédito destinada ao capital de giro na Paraíba chegou a R$ 5,29 bilhões em junho de 2025, segundo levantamento do Banco Central do Brasil. O valor representa um crescimento de 13,1% em comparação aos R$ 4,68 bilhões registrados no mesmo período de 2024. O percentual coloca o estado com a 15ª maior expansão do país e a sexta maior do Nordeste.
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De acordo com Ana Paula Medeiros, coordenadora do Ciclo de Crédito na Central Sicredi Nordeste, o avanço está diretamente ligado ao fortalecimento da economia local. “Com a atividade econômica mais forte, as empresas ampliam produção, estoques e vendas, o que aumenta a necessidade de recursos para financiar o ciclo operacional”, explica.
Ela destaca que o movimento é impulsionado principalmente por micro, pequenas e médias empresas, que tradicionalmente dependem mais de capital de giro para sustentar operações do dia a dia, como compra de insumos, pagamento de fornecedores e organização do fluxo de caixa.
Dados internos do Sicredi reforçam essa tendência. Na Paraíba, a instituição financeira cooperativa encerrou dezembro de 2025 com uma carteira total de crédito de R$ 370,4 milhões, registrando crescimento de 22% no período. O desempenho sinaliza expansão consistente das operações voltadas ao financiamento empresarial no estado.
Segundo a especialista, o aumento do capital de giro costuma estar associado à elevação das concessões destinadas à manutenção da liquidez das empresas. “Nos últimos anos, parte relevante da expansão do crédito corporativo tem sido direcionada à recomposição de caixa, antecipação de recebíveis e financiamento do ciclo financeiro”, afirma.
No sistema financeiro, o capital de giro ocupa posição estratégica entre as modalidades de crédito empresarial. Por se tratar de uma operação de curto prazo e alta rotatividade, reage de forma mais imediata às variações da atividade econômica. Assim, quando há expansão do volume de recursos disponíveis às empresas, as linhas de curto prazo tendem a ser as primeiras a crescer.
O cenário também revela uma mudança no comportamento das empresas. Além do aumento no número de tomadores, cresce o uso do crédito como ferramenta de gestão financeira. “Parte das empresas tem substituído recursos próprios por crédito operacional para manter a liquidez, sobretudo em momentos de maior necessidade de caixa”, conclui Ana Paula Medeiros.