Paraíba e Pernambuco criam biofábrica para combater pragas na cana-de-açúcar

Estação de Camaratuba, na PB, produzirá insetos específicos para o clima regional; projeto prevê expansão para Alagoas e Sergipe.

(Foto: Reprodução)

Uma nova iniciativa entre a Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) promete avanços no combate às pragas da cana-de-açúcar por meio do uso de biofábricas. A parceria técnica utilizará a Estação de Camaratuba, na Paraíba, para desenvolver pesquisas avançadas sobre a criação de fêmeas da broca em laboratório como estratégia de armadilha. A cooperação entre os estados vizinhos visa padronizar protocolos e aumentar a eficiência do controle biológico nas lavouras da região.

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A formalização ocorreu durante uma reunião técnica entre equipes das duas associações, na última terça-feira (10), reunindo profissionais da Asplan e da AFCP para alinhar ações de desenvolvimento tecnológico e aprimoramento de protocolos de manejo integrado de pragas. A parceria envolve diretamente os profissionais da Asplan e da Estação de Camaratuba, a exemplo do Diretor Técnico, Neto Siqueira, do Supervisor Técnico, Júlio Barbosa, e o Biólogo e Doutor em Agronomia Roberto Balbino, além dos representantes da AFCP, o engenheiro Agrônomo Álvaro Rodrigues, Frederico Camazoni e o Consultor José de Souza.

(Foto: Reprodução)

Segundo Roberto, atualmente, os levantamentos realizados no Centro-Sul do país utilizam, majoritariamente, armadilhas com fêmeas virgens da Diatraea saccharalis, espécie diferente da que ocorre no Nordeste, o que reduz a eficiência do monitoramento regional. Com a parceria, explica ele, as associações irão desenvolver, de forma conjunta, a criação da Diatraea impersonatella e uma armadilha específica para o levantamento da praga em campo, permitindo maior precisão no diagnóstico e melhor direcionamento das estratégias de controle.

Segundo Neto Siqueira, a cooperação entre as entidades representa um passo importante para a evolução do controle biológico na região, além da ampliação futura da produção das biofábricas. “Estamos unindo nossas equipes técnicas e o conhecimento acumulado das duas associações para desenvolver protocolos adequados à realidade do Nordeste. Hoje, a metodologia utilizada no Centro-Sul não atende plenamente às nossas condições de campo. Essa parceria vai permitir produzir a Diatraea impersonatella, desenvolver uma armadilha específica e, com isso, melhorar significativamente o levantamento e o controle da broca nos canaviais”, destacou.

Inicialmente, a parceria será baseada na troca de conhecimento técnico entre as equipes. Paralelamente, as entidades avançarão para uma etapa de produção integrada, na qual a Asplan ficará responsável pela produção do inseto, enquanto a AFCP atuará no desenvolvimento da armadilha. O uso de um produto estará diretamente vinculado ao outro, fortalecendo o modelo de cooperação técnica. Em uma fase posterior, a parceria prevê a expansão da produção e comercialização da Cotesia, agente biológico utilizado no controle da broca-da-cana, com foco no atendimento das regiões da Zona da Mata e Mata Sul de Pernambuco, além dos estados de Alagoas e Sergipe.

A iniciativa consolida a Estação de Camaratuba como um polo estratégico de inovação em controle biológico e reforça o compromisso da Asplan e da AFCP com a sustentabilidade, a eficiência produtiva e o fortalecimento da cadeia canavieira no Nordeste.

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