Os gastos para aproveitar o Carnaval pesaram mais no bolso do brasileiro na última década. De acordo com levantamento da Rico, plataforma de investimentos do Grupo XP Inc., os itens mais consumidos durante o período registraram aumento médio de 79,07% em dez anos. O percentual é superior à inflação oficial do País, medida pelo IPCA, que acumulou 64,77% no mesmo intervalo.
Segundo a pesquisa, o encarecimento da chamada “cesta carnavalesca” ficou cerca de 14 pontos percentuais acima da inflação geral. Para Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo estudo, os produtos e serviços típicos da festa tiveram reajustes acima da média nacional ao longo do período analisado.
As bebidas alcoólicas foram as principais responsáveis pela alta. Enquanto a cerveja acumulou aumento de 58,18% em dez anos, o grupo de outras bebidas alcoólicas registrou elevação ainda maior, de 80,76%, liderando os reajustes. Nos últimos 12 meses, porém, esse grupo apresentou recuo de 2,88%.
O estudo aponta que a pressão sobre os preços está ligada, principalmente, ao avanço dos custos de produção. No caso da cerveja, a alta de insumos como malte e alumínio, utilizado nas latas, impactou diretamente o valor final ao consumidor. Já para outras bebidas alcoólicas, a valorização do dólar encareceu matérias-primas e componentes importados.
O vinho apresentou comportamento diferente, já que passou a integrar o IPCA apenas a partir de 2020. Desde então, acumula inflação de 23,64% em seis anos e alta de 0,80% nos últimos 12 meses.
Ao considerar um período mais recente, de seis anos, a diferença entre a cesta carnavalesca e o IPCA diminui, mas continua acima da inflação geral. Nesse intervalo, os itens típicos do Carnaval subiram 48,97%, frente a 39,15% do índice oficial. Em 12 meses, a cesta avançou 5,51%, enquanto o IPCA ficou em 4,26%.
Para calcular o impacto no orçamento dos foliões, o levantamento considerou uma cesta hipotética com produtos e serviços comuns nesta época do ano, como cerveja, outras bebidas alcoólicas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e transporte, incluindo passagens aéreas e ônibus interestaduais.
Entre os demais itens analisados, destacam-se as passagens aéreas, com alta de 74,23% em dez anos, bijuterias (61,76%), ônibus interestadual (54,91%) e artigos de maquiagem (35,16%). Serviços de cabeleireiro e barbeiro, incluídos no índice a partir de 2020, acumulam alta de 42,62% em seis anos.