A crise energética enfrentada por Cuba ganhou novos contornos e passou a afetar diretamente o setor aéreo do país. Companhias internacionais que operam na ilha foram alertadas de que os aeroportos cubanos podem ficar sem combustível de aviação a partir desta segunda-feira, em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao envio de petróleo e derivados, situação agravada após a recente intervenção americana na Venezuela.
O alerta foi emitido por meio de um Notam (aviso direcionado a profissionais da aviação), com validade entre 10 de fevereiro e 11 de março, segundo informações da agência EFE. A notificação indica indisponibilidade de querosene do tipo Jet A1 em praticamente todos os principais aeroportos do país, incluindo os terminais de Havana, Varadero, Santiago de Cuba, Holguín, Camagüey, Santa Clara, Cienfuegos, Manzanillo e Cayo Coco.
A mensagem técnica registrada nos sistemas da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) foi: “JET A1 FUEL NOT AVBL”, indicando ausência de combustível para aeronaves.
De acordo com o site independente 14Ymedio, o racionamento já havia começado no último sábado, com controle no fornecimento de querosene aos voos. O portal lembra que episódios semelhantes não são inéditos e se repetem desde a década de 1990. Em situações anteriores, companhias aéreas contornaram o problema ajustando rotas e realizando escalas adicionais para reabastecimento em países vizinhos, como México e República Dominicana.
Cuba mantém ligações aéreas frequentes com os Estados Unidos, especialmente com a Flórida, a partir de cidades como Miami, Tampa e Fort Lauderdale, além do Canadá, principal emissor de turistas para a ilha. Também há voos regulares para Espanha, Rússia, Panamá, México, Colômbia, Venezuela e outros países da América Latina e da Europa.
O governo russo comentou sobre esse cenário. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a situação como crítica e afirmou que Moscou mantém contato permanente com Havana por vias diplomáticas. A declaração foi dada em resposta a questionamentos sobre como seria feita uma eventual evacuação de turistas russos caso os aeroportos fiquem sem combustível.
Na semana passada, a embaixada da Rússia e o consulado-geral em Havana informaram que passaram a acompanhar de perto a situação dos cidadãos russos no país, após relatos de atrasos em voos. Segundo a União Russa da Indústria de Viagens, há atualmente cerca de 4 mil turistas russos em Cuba, número confirmado por Anna Podgornaya, diretora-executiva da operadora Pegas Touristik.