O varejo brasileiro registrou em janeiro seu pior desempenho para o início de um ano desde o auge da pandemia da Covid-19 em 2021. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o setor obteve uma queda real de 1,5%, sinalizando um desaquecimento no consumo.
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“Janeiro começou de forma mais contida, refletindo um consumidor seletivo e atento às prioridades. O varejo físico ajudou a sustentar o mês, enquanto o digital desacelerou. Os setores essenciais mantiveram estabilidade, e Turismo e Transporte se destacaram pelo efeito das férias. O momento exige foco e direção estratégica para que os varejistas possam conquistar espaço mesmo em um ambiente mais desafiador”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
Em termos nominais, o faturamento do varejo cresceu 1,3% sem ajuste de calendário, mas ficou próximo da estabilidade quando considerado o ajuste (-0,3%). Ao descontar a inflação, a retração se aprofunda: o ICVA deflacionado com ajuste de calendário recuou 3,1%, posicionando janeiro de 2026 entre os meses mais fracos da série histórica do indicador em termos reais.
O desempenho do mês reflete um início de ano marcado por consumo mais cauteloso e seletivo. O varejo físico apresentou crescimento nominal de 2,1%, ajudando a suavizar o resultado geral, enquanto o e-commerce recuou 1,5%. O movimento indica maior peso das compras presenciais ligadas à reposição e à rotina, além de uma base de comparação mais desafiadora para o canal digital após o forte avanço observado em anos anteriores.
O cenário foi especialmente desfavorável para o consumo de bens duráveis e semiduráveis, que registraram queda real de 5,4% em janeiro. Com o orçamento pressionado por despesas fixas e sazonais típicas do início do ano — como impostos, mensalidades escolares e reajustes de serviços —, as famílias priorizaram itens essenciais. Em contraste, o macrossetor de bens não duráveis apresentou crescimento real de 0,7%, impulsionado principalmente por supermercados e hipermercados.
O macrossetor de Serviços também seguiu pressionado, com retração real de 3,9% no mês. Apesar do desempenho positivo de Turismo e Transporte, favorecido pelo período de férias, o resultado foi impactado negativamente por Alimentação — Bares e Restaurantes, segmento ainda pressionado por custos elevados e repasses de preços, mesmo em um ambiente de inflação mais controlada.
Inflação
Em janeiro, o IPCA-15 registrou alta de 0,20%, abaixo do observado em dezembro, acumulando inflação de 4,5% em 12 meses. Alimentação e bebidas avançou 0,3%, enquanto Saúde e cuidados pessoais exerceu o principal impacto sobre o índice. Ao ponderar o IPCA e o IPCA-15 pelos pesos do ICVA, a inflação do varejo ampliado acumulada em 12 meses foi de 2,9%.
Regiões
Regionalmente, todas as regiões do país apresentaram retração em termos reais no mês, segundo o ICVA deflacionado com ajuste de calendário. O Centro-Oeste registrou a maior queda (-5,0%), seguido por Norte (-3,9%), Nordeste (-3,7%), Sul (-3,4%) e Sudeste (-2,6%). Em termos nominais com ajuste, apenas o Sudeste apresentou leve crescimento (0,2%), enquanto o Sul ficou estável (0,0%).
De forma geral, janeiro de 2026 confirma um início de ano mais fraco para o varejo brasileiro. Mesmo com inflação mais estável, os efeitos acumulados das pressões inflacionárias observadas ao longo de 2025 continuam limitando o ganho real das famílias, reforçando um ambiente de cautela e adiamento de compras de maior valor.