Haddad classifica como grave fraude no Banco Master e cobra recuperação de recursos desviados

Ministro afirma que problema veio à tona após mudança no comando do Banco Central e diz que crise já estava instalada

Foto: REUTERS/Mateus Bonomi

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a fraude identificada no Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central, tem gravidade elevada e exige a recuperação dos valores desviados. Para o ministro, é fundamental que as investigações avancem para identificar os responsáveis e esclarecer os fatos.

Segundo Haddad, o Ministério da Fazenda só teve conhecimento da dimensão do problema no ano passado, após a posse de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central. Em entrevista à Band News, o ministro disse ter ficado surpreso com a proporção do caso, classificado por investigadores como a maior fraude bancária já registrada no país, e defendeu o rastreamento dos recursos envolvidos.

Na avaliação de Haddad, Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o comando da autoridade monetária em janeiro de 2025, encontrou uma crise já em curso. O ministro afirmou que o presidente do BC adotou as providências cabíveis, com o acionamento do Ministério Público e da Polícia Federal, destacando que, em casos de crime, o papel do Banco Central é de supervisão, e não de investigação criminal.

O Banco Master teve a liquidação decretada em novembro, após o Banco Central identificar uma grave crise de liquidez, caracterizada pela incapacidade da instituição de honrar compromissos com clientes e investidores. Em depoimento, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, informou que o banco possuía apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da intervenção, valor considerado incompatível com o porte da instituição.

As investigações apontam ainda que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas problemáticas, que não pertenciam ao Master e não apresentavam garantias financeiras. De acordo com Ailton de Aquino, o BRB pode precisar aportar mais de R$ 5 bilhões para cobrir o prejuízo gerado por essas operações.

Esta não foi a primeira manifestação de Haddad sobre o caso. No mês anterior, o ministro já havia defendido a atuação do Banco Central diante do episódio e cobrado medidas para apurar responsabilidades e mitigar os impactos do escândalo.

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