Nordeste registra 1,36 milhão de empresas inadimplentes e soma R$ 26,3 bilhões em dívidas, aponta Serasa

Bahia concentra maior número de CNPJs negativados da região, enquanto Sergipe lidera em valor médio das dívidas por empresa

Foto: Reprodução

O Nordeste encerrou novembro de 2025 com 1.356.084 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Juntas, as companhias da região acumulavam R$ 26,3 bilhões em dívidas negativadas, distribuídas em mais de 8 milhões de débitos.

No recorte estadual, a Bahia apareceu na liderança regional em número absoluto de empresas com contas em atraso, somando 383.297 CNPJs negativados. Já Sergipe apresentou a maior média de dívidas por empresa, com 6,7 débitos por CNPJ, além do maior valor médio de endividamento, estimado em R$ 36.592,72.

Os dados refletem um cenário mais amplo de deterioração do crédito no país. Em nível nacional, a inadimplência empresarial atingiu um novo recorde em novembro, alcançando 8,9 milhões de empresas com pelo menos uma obrigação vencida e não paga. O montante total das dívidas ultrapassou R$ 210,8 bilhões, o maior da série histórica do indicador.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço da inadimplência está diretamente relacionado ao ambiente econômico ainda adverso. “Juros elevados e crédito mais restritivo reduzem a capacidade das empresas de absorver oscilações de custos ou queda de receita. Com isso, cresce a dificuldade de renegociar dívidas e manter obrigações em dia”, explica.

Perfil do endividamento

Em novembro de 2025, as empresas inadimplentes possuíam, em média, sete contas negativadas. O valor médio de cada débito foi de R$ 3.375,40, enquanto a dívida média por empresa chegou a R$ 23.790,80. Na avaliação da Serasa, os números indicam não apenas um aumento no volume de companhias inadimplentes, mas também um agravamento do endividamento. “As dívidas estão maiores e se acumulam ao longo do tempo”, pontua a economista.

O setor de Serviços concentrou a maior parcela das empresas negativadas, respondendo por 55,2% do total. Na sequência aparecem Comércio (32,7%) e Indústria (8,1%). Os segmentos classificados como “Outros” (3,1%) e “Primário” (0,9%) completam o levantamento.

Quando analisada a origem das dívidas, o setor de Serviços também lidera, com 31,4% das negativações, seguido por Bancos e Cartões (19,9%) e Outros (18,0%). Cooperativas (8,4%), Utilities (7,1%) e Telefonia (6,2%) também tiveram participação relevante. Segundo Camila Abdelmalack, esse comportamento indica que muitas empresas priorizam despesas operacionais essenciais, adiando compromissos financeiros em períodos de maior aperto de liquidez.

Distribuição regional e porte das empresas

O Sudeste concentrou a maior parte das empresas inadimplentes do país, com 4,76 milhões de CNPJs, o equivalente a 53,7% do total nacional. Em seguida aparecem Sul (1,44 milhão), Nordeste (1,36 milhão), Centro-Oeste (774 mil) e Norte (531 mil). Entre os estados, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram o ranking de inadimplência.

Em relação ao porte, micro, pequenas e médias empresas representaram a maior fatia do problema. Do total de 8,9 milhões de companhias inadimplentes no país, cerca de 8,5 milhões pertencem a esse grupo, que acumulou 57,7 milhões de dívidas, somando R$ 190,3 bilhões. “Negócios de menor porte tendem a ser mais vulneráveis a ciclos de crédito restritivo, pois têm menos acesso a financiamento e menor margem para renegociação”, conclui a economista.

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