Escândalo Banco Master: investigação, Banco Central e decisões do STF abalam instituições e geram acusações de conflitos de interesse

Liquidação pelo Banco Central, investigação da Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal e envolvimento de ministros provocam debates sobre autonomia regulatória, papel do Judiciário e política no Brasil

Foto: Reprodução

O caso envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, emergiu como um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil, com desdobramentos que alcançam o sistema regulatório, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o debate público sobre a independência das instituições.

A crise começou quando o Banco Central determinou a liquidação do Master após constatar irregularidades em ativos e operações que poderiam ultrapassar R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas ou infladas, além de títulos com rendimentos muito acima da média do mercado. Parte dessas operações teria ocorrido em conjunto com a gestora Reag DTVM.

Em paralelo, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Compliance Zero”, que culminou na prisão do fundador do banco, Daniel Vorcaro, e de outros executivos um dia antes da liquidação, levantando suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e gestão fraudulenta de instituição financeira.

STF assume investigação e medidas jurídicas

O caso foi remetido ao STF em dezembro de 2025 por decisão do ministro Dias Toffoli, que passou a relatar a investigação e determinou medidas como a quebra de sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades ligadas ao banco, assim como o bloqueio de cerca de R$ 5,7 bilhões em bens de investigados.

Toffoli também ordenou acareação de testemunhas e investigados, incluindo Vorcaro, um diretor de fiscalização do Banco Central e o ex-presidente do BRB, banco que era candidato à compra do Master antes da intervenção do BC, numa audiência marcada para ocorrer mesmo durante o recesso forense.

Essas decisões motivaram críticas de setores do Legislativo, incluindo o senador Marcio Bittar, que questionou a condução do ministro no processo e levantou dúvidas sobre a isenção do Supremo.

O Banco Central chegou a apresentar embargos de declaração para tentar clarificar pontos da decisão que manteve a acareação no STF, mas Toffoli manteve sua posição, classificando a acareação como necessária para confrontar versões sobre as negociações sob a supervisão da autoridade monetária.

Acusações de conflitos de interesse envolvendo ministros

A cobertura internacional do caso, como na revista britânica The Economist, destacou supostas relações entre figuras do Judiciário e execuções financeiras controversas, mencionando inclusive contratos e encontros que teriam ocorrido entre o presidente do Banco Central e ministros do STF em contextos que geraram especulação pública, todos negados formalmente pelos envolvidos.

O ministro Alexandre de Moraes publicou nota negando qualquer intervenção junto ao BC sobre a venda do Master ao BRB, afirmando que suas reuniões com o presidente da autoridade monetária trataram exclusivamente de outros temas não relacionados ao caso.

Críticas públicas e propostas políticas, incluindo pedidos de impeachment contra Dias Toffoli por parte de parlamentares que acusam o ministro de conflito de interesses, circulam desde janeiro de 2026, embora a Procuradoria-Geral da República tenha indicado que manter Toffoli na relatoria pode ser menos prejudicial ao andamento das investigações.

Impactos econômicos e institucionais

O contexto do Banco Master também levou a suspensão de cerca de R$ 2 bilhões de repasses do INSS ao banco após a detecção de irregularidades em contratos de empréstimos consignados, afetando segurados e aumentando a preocupação com práticas de crédito e segurança jurídica no sistema financeiro.

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