Ganho real nos salários recua em 2025; economista alerta os impactos para a Paraíba

Com recuo no ganho real para 0,87%, especialista aponta que turismo e construção civil seguram a economia da Paraíba diante da inflação nos itens básicos.

(Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)

O cenário das negociações salariais no Brasil apresentou uma moderação em 2025. Segundo dados preliminares do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o percentual de reajustes acima da inflação caiu para 77%, um recuo frente aos 84% registrados em 2024. O ganho real médio também recuou, passando de 1,25% para 0,87%.

Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.

A análise, baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – que encerrou o ano com alta de 3,90% –, revela que o avanço da inflação foi o principal responsável por frear os ganhos reais. Enquanto indústria e comércio conseguiram melhores resultados (80% de ganhos reais), o setor rural teve o desempenho mais frágil, com apenas 69,4% dos acordos superando a inflação.

O impacto no cotidiano

Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, o economista Vitor Nayron, afirmou que a desaceleração nos ganhos salariais atinge de forma distinta os diferentes tipos de consumo na Paraíba. No caso do comércio de bairro, o impacto varia de acordo com a categoria dos produtos comercializados.

“O comércio de bairro está muito atrelado ao consumo de bens primários, principalmente alimentação. Mesmo em uma situação onde o salário não tenha um reajuste alto, esses produtos continuam sendo prioridade porque as pessoas precisam se alimentar”, explicou Nayron. No entanto, ele alerta que segmentos como vestuário podem sofrer mais com a concorrência tecnológica de aplicativos.

O economista destacou ainda o peso da inflação no orçamento das famílias paraibanas de baixa renda, o que ele classifica como um “imposto para o pobre”. De acordo com ele, esse termo pode ser exemplificado com a variação de preços em itens básicos.

“Se o quilo do feijão sobe de R$ 5 para R$ 7, quem recebe um salário mínimo sente um impacto enorme. Já para quem recebe R$ 10 mil, embora perceba o aumento, a intensidade não é a mesma. Qualquer variação no preço ou na renda é sentida muito mais por quem está na base da pirâmide”, demonstrou.

Interior e agropecuária

A fragilidade nas negociações do setor rural (69,4% de ganho real) preocupa especialmente o interior da Paraíba. Vitor Nayron apontou que a agropecuária é o pilar que sustenta a dinâmica econômica de muitos municípios paraibanos. Com reajustes menores, o poder de compra nessas regiões tende a ser mais limitado, afetando o giro de capital nas cidades menores.

Equilíbrio econômico no estado

Apesar dos dados salariais mais conservadores, Nayron ressaltou que não se pode afirmar que haverá um desequilíbrio econômico no estado apenas por essa variável. Segundo ele, o cenário econômico paraibano atual é movido por múltiplos fatores que compensam a desaceleração salarial.

“A economia é influenciada por vários fatores. O setor de turismo, por exemplo, está crescendo muito e impulsionando João Pessoa e a Paraíba em geral. Esse crescimento movimenta o comércio, o setor hoteleiro e a construção civil”, afirma. “Por mais que tenhamos a questão do salário de um lado, do outro temos o turismo gerando impactos positivos. É a junção de tudo isso que define a situação econômica real.”

O desafio da produtividade

Para o futuro, Victor Nayron pontuou que a melhoria real dos salários, tanto na Paraíba quanto no Brasil, passa obrigatoriamente por uma discussão estrutural sobre a produtividade do trabalho.

“Quanto mais a pessoa se especializa e adquire conhecimento que o mercado demanda, maior tende a ser o seu salário. A grande discussão é sobre como os trabalhadores podem produzir mais através de habilidades técnicas. Essa capacidade de produzir com mais eficiência é o que pode acabar impactando positivamente na questão salarial a longo prazo”, concluiu o economista.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Ir para o conteúdo