Com inflação dentro da meta, Copom se prepara para reduzir juros em março

Com inflação sob controle e desaceleração da atividade, Banco Central deve iniciar ciclo de cortes na Selic em março, impulsionando o consumo e o crédito no Brasil.

Foto: Reprodução

Após quase dois anos, o Banco Central (BC) deve começar a reduzir a taxa básica de jutos a partir de março. A previsão é resultado do enfraquecimento da atividade econômica e à melhora gradual do cenário inflacionário. De acordo com economistas, a movimentação deve gerar uma alta do consumo e compensar o desempenho insatisfatório do setor industrial.

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Levantamento realizado pela Reuters com economistas indica que a autoridade monetária deve manter a taxa Selic em 15% na reunião marcada para 28 de janeiro, repetindo a decisão das quatro reuniões anteriores. Dos 35 analistas consultados entre 19 e 22 de janeiro, 32 apostam na manutenção dos juros neste encontro, enquanto três projetam um corte já antecipado, sendo dois de 0,25 ponto percentual e um de 0,50 ponto.

Entre os participantes que responderam a uma pergunta adicional sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), a maioria expressiva apontou março como o momento mais provável para o início do ciclo de cortes. Ao todo, 28 economistas esperam uma redução nesse mês, com 15 prevendo um corte inicial de 0,50 ponto percentual e outros 13 apostando em uma diminuição mais moderada, de 0,25 ponto.

Caso se confirme, será a primeira redução desde maio de 2024, quando o Banco Central adotou uma postura mais rígida diante da pressão inflacionária, alternando períodos de alta dos juros com a manutenção da taxa em patamares elevados. Desde então, a política monetária tem permanecido restritiva como forma de conter a escalada dos preços ao consumidor.

Analistas do Citi avaliam que o atual ambiente abre espaço para a mudança de direção. Em relatório, afirmaram: “A diminuição das expectativas de inflação, a suavização da inflação corrente e nossa expectativa de que a inflação continue melhorando permitiriam ao Copom iniciar o ciclo de cortes em março.” A inflação anual encerrou o ano passado em 4,26%, abaixo do limite superior de 4,5% da meta oficial, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Essa melhora no comportamento dos preços pode se refletir já no comunicado da próxima decisão de política monetária. Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, o texto pode sinalizar uma inflexão. “Um possível novo desenvolvimento poderia ser a exclusão da parte que trata da possibilidade de retomar o ciclo de altas de juros”, disse. Segundo ele, “algumas expressões de comunicados anteriores, como ‘gradual’, ‘parcimônia’ e ‘efeitos defasados’ da política monetária, poderiam ser outras opções para indicar a proximidade do início do ciclo de cortes.”

No campo da atividade econômica, projeções apontam para uma desaceleração no primeiro semestre, seguida por uma retomada gradual ao longo do ano. Pesquisa separada da Reuters mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,8% em 2026, abaixo da expansão estimada de 2,3% para 2025, de acordo com a mediana das previsões de 47 economistas. Os dados oficiais do PIB do ano passado devem ser divulgados em março.

Apesar do ritmo mais moderado, parte do mercado vê espaço para surpresas positivas. Entre 18 analistas que avaliaram os riscos para suas projeções, 12 acreditam que o crescimento pode superar as expectativas, enquanto seis apontam chances de uma expansão mais fraca.

O consumo das famílias é apontado como um dos principais vetores de sustentação da economia. Para Laiz Carvalho, economista do BNP Paribas para Brasil e Chile, “o impulso virá do gasto das famílias… impulsionado por medidas de estímulo ao consumo implementadas no fim de 2025 e no início de 2026.” Entre essas iniciativas, está a liberação de recursos de um fundo público de seguro para trabalhadores, que permitirá a cerca de 14 milhões de demitidos sacar um total de 7,8 bilhões de reais.

Com inflação mais comportada, sinais de estímulo fiscal e a perspectiva de alívio monetário, o cenário traçado pelos economistas indica uma tentativa de reativar a economia brasileira em um contexto de crescimento mais contido e de expectativas voltadas para o desempenho ao longo de 2026.

Crédito: Brasil 247

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