O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) apresentou leve alta em janeiro de 2026, ao avançar 0,5 ponto e alcançar 48,5 pontos. Apesar do crescimento, o indicador permanece abaixo da linha dos 50 pontos, patamar que separa confiança de falta de confiança, e marca o pior resultado para um mês de janeiro dos últimos dez anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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Calculado em uma escala que vai de 0 a 100, o ICEI sinaliza pessimismo quando fica abaixo dos 50 pontos. O desempenho de janeiro repete os níveis observados em 2016, período marcado pela recessão econômica no país.
O resultado tem como base uma pesquisa realizada entre os dias 5 e 9 de janeiro, com 1.058 empresas industriais, sendo 426 de pequeno porte, 383 médias e 249 grandes.
Para a CNI, o comportamento do indicador está diretamente ligado ao ambiente macroeconômico, especialmente ao ciclo de alta dos juros. “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, avaliou o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo.
Atualmente, a taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação, está fixada em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O índice serve como referência para o custo do crédito no mercado financeiro, afetando tanto empresas quanto consumidores.
Perspectivas
Na análise dos componentes do ICEI, o índice que mede as condições atuais da economia teve avanço de 0,2 ponto, chegando a 44 pontos. Mesmo com a elevação, o resultado indica que os empresários seguem avaliando o cenário econômico e os próprios negócios como piores do que há seis meses.
Já o Índice de Expectativas registrou crescimento mais expressivo, ao subir 0,7 ponto e alcançar 50,7 pontos. “O movimento indica que os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas”, destacou a CNI.