Produção de veículos cresce em 2025, mas fica abaixo da expectativa do setor

Exportações avançam 32%, China ganha espaço nas importações e Anfavea projeta avanço moderado para 2026

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A indústria automotiva brasileira encerrou 2025 com a produção de 2,644 milhões de veículos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume representa um crescimento de 3,5% em relação a 2024, resultado inferior à projeção inicial da entidade, que estimava alta de 7,8%.

Mesmo abaixo do esperado, o desempenho marcou o maior nível de produção desde 2019. Ao longo dos 12 meses de 2025, foram fabricados 2,644 milhões de veículos zero quilômetro, frente aos 2,553 milhões registrados no ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pelos veículos leves, enquanto a produção de pesados apresentou retração.

“Tínhamos projetado em 2024, em um contexto diferente, um aumento de 7,8% e fechamos em 3,5%. O crescimento acumulado chega sobretudo por veículos leves, enquanto o de pesados retraiu 9,9%. É um ano que esperávamos mais, mas ainda assim temos um ano positivo”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

A alta de 2025 foi a segunda consecutiva, após o avanço de 10% registrado em 2024, consolidando a recuperação iniciada depois da queda de 1,9% em 2023, a primeira retração da produção nacional desde 2016.

Exportações têm melhor desempenho desde 2018

Se o crescimento da produção ficou abaixo do projetado, o mesmo não ocorreu com as exportações. Em 2025, o Brasil embarcou 528.827 veículos para outros mercados, um salto de 32,1% na comparação com as 400.238 unidades exportadas em 2024. O resultado é o melhor desde 2018.

“O destaque especial para Argentina, que teve crescimento de 85% em relação a 2024. A Colômbia, preciso dizer, aumentou 19% muito embora o ano de 2025 tenha sido de muita instabilidade sobre acordos com o país”, disse Igor Calvet.

Os principais destinos dos veículos brasileiros no exterior foram:

Argentina: 302.572 unidades
México: 79.228 unidades
Colômbia: 42.205 unidades
Uruguai: 32.622 unidades
Chile: 24.760 unidades

Importações atingem maior volume em 11 anos

O volume de veículos importados também cresceu de forma significativa. Em 2025, o Brasil recebeu 497.765 automóveis do exterior, o maior patamar dos últimos 11 anos. Em 2014, por exemplo, haviam sido importadas 617.023 unidades.

Historicamente, a Argentina liderava como principal origem dos veículos importados. Em julho de 2025, porém, a China assumiu protagonismo momentâneo, embora não tenha encerrado o ano na liderança. Ainda assim, a distância entre os dois países diminuiu de forma expressiva.

Ao longo de 2025, a China respondeu por 37,6% das importações brasileiras de veículos. Os principais países de origem foram:

Argentina: 200.335 unidades
China: 187.327 unidades
México: 31.718 unidades
Alemanha: 26.930 unidades
Uruguai: 15.622 unidades
Tailândia: 6.484 unidades

O avanço chinês também está associado à ampliação da presença de marcas do país no mercado brasileiro. Em 2025, seis novas fabricantes estrearam no Brasil: Denza, MG Motor, GAC, Leapmotor, Omoda & Jaecoo e Geely.

Apesar do crescimento das importações, a Anfavea destaca o saldo positivo da balança comercial do setor. No acumulado de 2025, as exportações superaram as importações em 6,2%.

“A balança comercial do setor é positiva, ainda que muito tímida. Nós tivemos um ano em que as exportações nos surpreenderam”, avaliou Igor Calvet.

Foto: Bloomberg

Entidade alerta para riscos da montagem por kits importados

A associação, no entanto, demonstrou preocupação com o modelo de produção adotado por algumas montadoras que planejam operar no Brasil por meio da montagem de kits prontos importados, os chamados CKD e SKD. A prática já provocou tensões no setor, especialmente em relação a veículos eletrificados, que contam com isenção temporária de impostos.

Inicialmente, as alíquotas de importação subiriam gradualmente até julho de 2028, quando veículos elétricos e híbridos atingiriam taxa de 35%. O novo cronograma antecipou esse prazo para janeiro de 2027. Também foram criadas cotas temporárias de importação, no valor de US$ 463 milhões para kits CKD e SKD, permitindo a entrada com imposto zero até janeiro de 2026 ou até o esgotamento do limite.

A Anfavea teme uma eventual prorrogação dessas cotas. 

“A nossa preocupação nesse aspecto é um empobrecimento da cadeia de suprimentos brasileira. Isso implica dizer que os kits chegam prontos e, prontos, toda a cadeia antes de chegar as montadoras será afetada. Desde a compra de aço, processos produtivos decorrentes disso como estamparia e soldagem, eles passam a ser executados no país de origem. Nem pintura nós faríamos”, alertou o presidente da entidade.

Crescimento moderado é esperado para 2026

Para 2026, a Anfavea projeta continuidade do crescimento, porém em ritmo conservador. A expectativa é de alta de 3,7% na produção total, bem abaixo do otimismo observado em projeções anteriores.

“É um ano que nós vemos ainda em que o mercado cresce, que a produção cresce, mas um ano com otimismo contido. É um ano que nos traz muitas dúvidas e instabilidades, como geopolíticas diariamente ou hora a hora, temos questões com reforma tributária, quando a taxa de juros começa a cair. Isso ainda traz algumas instabilidades e incertezas”, afirmou Igor Calvet.

Segundo a entidade, a projeção detalhada é a seguinte:

Automóveis e comerciais leves: de 2,492 milhões para 2,586 milhões de unidades, alta de 3,8%;
Veículos pesados (caminhões e ônibus): de 137 mil para 136 mil unidades, com variação positiva de 1,4%.

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