O governo federal articula a construção de uma aliança entre países da América do Sul com grande potencial mineral para ampliar a integração regional no setor e diminuir a dependência de potências globais. A proposta envolve coordenação política, investimentos conjuntos e planejamento logístico compartilhado, com foco em minerais considerados críticos e estratégicos.
Segundo fontes do governo, a iniciativa surge como contraponto ao modelo histórico que relegou países em desenvolvimento ao papel de meros fornecedores de matérias-primas para economias industrializadas, lógica que o Brasil afirma não estar disposto a repetir.
A estratégia prevê a criação de corredores estratégicos de minerais, inicialmente voltados ao lítio e às terras raras, mas com possibilidade de expansão para cadeias produtivas de cobre, níquel e minério de ferro. Esses corredores não se limitam a obras específicas, mas englobam eixos integrados que conectam áreas de produção, infraestrutura, polos industriais e mercados internacionais.
Na prática, a proposta inclui a priorização de rotas logísticas capazes de integrar países vizinhos e superar gargalos históricos do setor mineral. Estão no radar a articulação de ferrovias e rodovias transfronteiriças, o uso coordenado de portos no Atlântico e no Pacífico, além da ampliação da infraestrutura energética e de transmissão. Também fazem parte do desenho a instalação de hubs industriais e zonas de processamento próximas às áreas produtoras, reduzindo custos, prazos e riscos logísticos.
Outro eixo central é a formação de cadeias de valor regionais, com o objetivo de evitar a exportação de minério em estado bruto. O plano aposta no beneficiamento local e na produção de insumos intermediários, como óxidos, ligas metálicas e concentrados avançados, além da integração com setores de maior valor agregado, como a indústria de baterias, ímãs permanentes, siderurgia de baixo carbono, defesa e tecnologias limpas.
A agenda integra as prioridades do Ministério de Minas e Energia na formulação da Política Nacional de Minerais Críticos. Em fóruns internacionais, o governo brasileiro tem defendido que a integração regional é fundamental para ampliar o peso geopolítico da América do Sul nas cadeias globais desses insumos, hoje concentradas em poucos países.
Durante um evento realizado em Riade, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou a defesa dos corredores estratégicos e destacou o papel de organismos multilaterais no apoio à iniciativa.
“Nesse espírito de cooperação prática, o Brasil e os países vizinhos podem dar um passo decisivo junto com o Fundo Monetário Internacional. Falo da expansão do mapa da integração com novos corredores estratégicos de lítio e terras raras na América do Sul, além do potencial de crescimento da produção de cobre, níquel e minério de ferro de alta qualidade”, afirmou o ministro.