Comerciantes de Campina Grande relatam queda no movimento após morte de peixes no Açude Velho

Cartão-postal da cidade enfrenta poluição, mau cheiro e prejuízos a trabalhadores e comerciantes após morte de 10 toneladas de peixes; sindicatos e população cobram ações urgentes de autoridades

Foto: Reprodução

A retirada de quase 10 toneladas de peixes mortos do Açude Velho, em Campina Grande, evidenciou um grave episódio de poluição ambiental na cidade. O caso, registrado neste último final de semana, mobilizou equipes da prefeitura e de órgãos ambientais e provocou impactos diretos na rotina da população, no comércio local e nas condições de trabalho de quem atua no entorno do reservatório, marcado por forte mau cheiro e degradação da qualidade da água.

De acordo com informações das equipes ambientais da prefeitura e de órgãos técnicos, a elevada mortandade de peixes e a deterioração da qualidade da água estão associadas à poluição crônica, intensificada nos últimos anos por descargas irregulares de resíduos e falta de saneamento adequado nas áreas que drenam para o reservatório. 

Impacto no comércio e no cotidiano da população

O problema passou a afetar diretamente o comércio que se concentra ao redor do Açude Velho. Proprietários de estabelecimentos relatam queda significativa no fluxo de clientes e perdas financeiras, especialmente em segmentos que lidam com alimentos e serviços de alimentação.

“Está bem complicado, pois tem diminuído bastante a frequência de pessoas ao açude e pra nós afeta nas vendas e principalmente meu comércio, que fica do outro lado onde os peixes mortos se acumulam. O mau cheiro afasta os clientes, e quem trabalha com alimento sofre bastante”, relatou Stênio Marinho de Farias, comerciante e dono da hamburgueria Burguer Eats. 

Stênio ainda contou que teve que fechar o estabelecimento por dois dias devido à intensidade do odor, e que os dias seguintes registraram movimento fraco justamente por causa da poluição ambiental.

Preocupação com trabalhadores e economia local

Além dos comerciantes, a situação preocupa também os trabalhadores da região, muitos dos quais permanecem expostos ao ambiente insalubre e com risco à saúde. José Rogério Gonçalves de Moura, presidente do Sindicato dos Comerciários de Campina Grande, destacou que os relatos que chegam ao sindicato indicam um impacto que vai além do incômodo olfativo.

“Temos relatos das condições insalubres que não afetam só os trabalhadores, mas também a população que circula e consome ali. É uma questão atípica e preocupante”, afirmou José Rogério. 

Ele ressaltou que alguns estabelecimentos adotaram medidas de proteção, como o uso de máscaras pelos trabalhadores, mas que o odor persistente e o ambiente degradado ainda causam prejuízos. “O fluxo de pessoas diminuiu e isso mexe diretamente com o bolso dos trabalhadores e das empresas. Há bares, restaurantes e lanchonetes na região e isso é muito preocupante para toda a sociedade”, relatou o presidente do sindicato.

José Rogério também enfatizou a importância de preservar o Açude Velho como patrimônio histórico e cartão-postal da cidade, citando que “o açude já vinha dando sua resposta, mostrando que estava cansado e totalmente poluído” muito antes dessa mortandade massiva de peixes. Para ele, a situação atual é o ápice de anos de degradação ambiental.

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