Varejo brasileiro fecha 2025 em queda real pelo segundo ano consecutivo, aponta ICVA

Inflação e consumo mais cauteloso pressionaram o setor, apesar do avanço do e-commerce e do crescimento nominal das vendas

Foto: Reprodução

O varejo brasileiro encerrou 2025 com retração de 1,0% em termos reais, já descontada a inflação, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado marca o segundo ano seguido de queda real no setor, após o recuo de 0,8% registrado em 2024. Em valores nominais, o faturamento do varejo cresceu 4,1% ao longo do ano, mas o avanço não foi suficiente para compensar o impacto inflacionário.

De acordo com o levantamento, o desempenho reflete um cenário de consumo mais contido, influenciado principalmente pela inflação acumulada, com maior pressão no primeiro semestre, e por um consumidor mais seletivo e racional nas decisões de compra. Mesmo com a desaceleração dos preços na segunda metade do ano, o alívio não conseguiu reverter o resultado negativo no acumulado de 2025.

Setores mais afetados

Todos os principais macrossetores apresentaram desempenho negativo em termos reais no ano. O setor de Serviços recuou 1,9%, puxado especialmente pelo segmento de Alimentação, Bares e Restaurantes. Em contrapartida, Turismo e Transporte tiveram destaque positivo, impulsionados pelo aumento de turistas estrangeiros, pela abertura de novas rotas internacionais e pela realização de grandes eventos no país.

O macrossetor de Bens Não Duráveis registrou leve retração de 0,2%, sustentado principalmente pelo desempenho de Drogarias e Farmácias. Já segmentos como Livrarias e Papelarias tiveram as maiores quedas. Bens Duráveis e Semiduráveis apresentaram recuo mais expressivo, de 2,6%, apesar do desempenho positivo de Móveis, Eletro e Departamentos, que ajudou a reduzir a intensidade da queda. O segmento de Óticas e Joalherias foi o principal fator negativo desse grupo.

Ao longo de 2025, o comércio eletrônico se consolidou como um dos principais suportes do varejo. O e-commerce teve desempenho superior ao das vendas presenciais, beneficiado pela busca por conveniência, maior comparação de preços e pela reação positiva de categorias mais sensíveis à taxa de juros.

“Apesar de um cenário desafiador no resultado real de dezembro, vimos sinais importantes: o e-commerce manteve ritmo acelerado e ajudou a sustentar o varejo, enquanto categorias sensíveis à taxa de juros mostraram maior dinamismo. No acumulado do ano, mesmo com inflação mais baixa no segundo semestre, o impacto do primeiro semestre limitou o ganho real, mas setores como turismo e transporte se destacaram, refletindo oportunidades para 2026”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.

Quarto trimestre e dezembro

No quarto trimestre de 2025, o varejo seguiu em trajetória de enfraquecimento, com queda real de 1,8%, segundo o ICVA. O setor de Serviços recuou 3,9% no período, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis tiveram retração de 4,2%. Bens Não Duráveis mostraram maior resistência, com crescimento real de 0,2%.

Em dezembro, o varejo registrou queda real de 1,9%. O desempenho foi impactado por efeitos de calendário, com uma quarta-feira no lugar de um domingo em relação ao ano anterior, e pela maior participação do e-commerce, que apresentou crescimento nominal de 6,0% no mês. O varejo físico ficou praticamente estável, com alta nominal de apenas 0,1%.

Entre os macrossetores, Serviços tiveram queda real de 5,2% em dezembro, novamente influenciados pelo desempenho negativo de Alimentação, Bares e Restaurantes. Bens Não Duráveis cresceram 0,4%, impulsionados por Supermercados e Hipermercados, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis recuaram 4,5%, apesar do bom resultado de Móveis, Eletro e Departamentos.

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