Macron confirma voto contra acordo UE-Mercosul por pressão do parlamento

Apesar da oposição frontal de potências como França e Irlanda, o bloco europeu deve garantir maioria para selar o pacto após conceder auxílio bilionário ao setor agrícola italiano.

(Foto: EPA)

A França irá votar contra a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul. A declaração foi feita nesta quinta-feira (8) pelo presidente do país, Emmanel Macron, que afirmou que a decisão faz parte de uma rejeição política, principalmente do Legislativo Francês. A AFP informou que, embora Macron reconheça os avanços nas negociações conduzidas pela União Europeia, a resistência interna do país impossibilita o apoio do governo.

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Rejeição política no parlamento francês

“Apesar de avanços incontestáveis, (pelos quais) é preciso reconhecer o mérito da Comissão Europeia, é necessário constatar uma rejeição política unânime do acordo, como demonstraram claramente os recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado da França”, afirmou o presidente francês.

Macron também destacou que a eventual assinatura do tratado não encerraria o debate político dentro da União Europeia nem as discussões sobre suas consequências internas. “A etapa da assinatura do acordo não constitui o fim da história. Continuarei a lutar pela plena implementação concreta dos compromissos obtidos junto à Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores”, disse.

Apoio europeu não deve ser afetado

Mais cedo, o vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, anunciou que seu país também votará contra o acordo. Ele afirmou que a Irlanda se alinhará a outras nações contrárias ao tratado, como França, Hungria e Polônia. “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado. Votaremos contra o acordo”, disse Harris em comunicado.

Apesar das objeções, a avaliação predominante dentro da União Europeia é de que os votos contrários não serão suficientes para barrar a aprovação do acordo na votação da Comissão Europeia prevista para esta sexta-feira. Caso seja aprovado, o tratado poderá ser assinado já na próxima semana.

Itália muda de posição após concessões

Nos últimos dias, o cenário político europeu passou por ajustes relevantes. A Itália, que havia se aproximado do grupo opositor liderado pela França pouco antes do Natal, obteve concessões significativas nas negociações recentes.

Entre elas está a antecipação de cerca de 45 bilhões de euros em subsídios do próximo orçamento da União Europeia, medida destinada a conter a insatisfação de agricultores europeus preocupados com a concorrência de produtos do Mercosul. Com isso, a expectativa é que o governo italiano volte a apoiar o acordo, reforçando a maioria favorável dentro do bloco europeu.

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