França anuncia veto a frutas da América do Sul com resíduos de agrotóxicos proibidos na UE

Medida atinge produtos como mangas, abacates e cítricos e ocorre em meio à pressão de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia

Foto: Ludovic Marin/AFP

A França decidiu barrar a entrada de frutas importadas da América do Sul que apresentem resíduos de cinco agrotóxicos já proibidos no território europeu: mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. A decisão foi anunciada no domingo (4) pela ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, e pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, por meio de publicações nas redes sociais.

Segundo Genevard, a medida busca impedir que substâncias banidas internamente retornem ao país de forma indireta, por meio das importações. “Suspendi a entrada em nosso território de alimentos que contenham resíduos de substâncias proibidas na Europa. Não é aceitável que esses produtos reapareçam pelas importações”, afirmou a ministra.

O primeiro-ministro informou que uma ordem oficial sobre o tema deve ser publicada nos próximos dias. Ele também detalhou quais produtos podem ser atingidos pela restrição, citando frutas como abacates, mangas, goiabas, cítricos, uvas e maçãs provenientes da América do Sul e de outras regiões. Para garantir o cumprimento das regras, Lecornu anunciou a criação de uma brigada especializada para intensificar as fiscalizações sanitárias.

De acordo com o chefe de governo francês, a decisão representa um passo inicial para proteger os consumidores, as cadeias de abastecimento e os agricultores locais, além de combater o que chamou de concorrência desleal no mercado agrícola.

Impacto para o Brasil ainda é incerto

Embora a União Europeia seja o principal destino das frutas brasileiras, a participação da França nesse comércio é reduzida. Entre janeiro e novembro de 2025, a UE respondeu por 58,7% do volume exportado pelo Brasil, enquanto a França representou apenas 0,6% do total, segundo dados do Ministério da Agricultura. Dentro do bloco europeu, os maiores compradores de frutas brasileiras são os Países Baixos, com 42% das aquisições, e a Espanha, com 10,6%.

Contexto político e pressão contra o Mercosul

O anúncio francês ocorre em um momento de forte tensão em torno do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A assinatura do tratado, prevista para dezembro de 2025, foi adiada após pressão do governo francês, apoiado recentemente pela Itália, diante das críticas de agricultores europeus.

O acordo, fechado em dezembro de 2024 entre a Comissão Europeia e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, prevê a redução ou eliminação de tarifas comerciais entre os blocos. Produtores franceses, no entanto, alegam que o pacto prejudica setores agrícolas da Europa, especialmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja.

Os protestos continuaram nas últimas semanas. Em 19 de dezembro, agricultores despejaram esterco e resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron, na cidade de Le Touquet, no norte da França, e colocaram um caixão com a frase “Não ao Mercosul”. Um dia antes, manifestações também ocorreram em Bruxelas, em frente ao Parlamento Europeu, com queima de pneus e confrontos com a polícia durante a última cúpula de líderes da UE em 2025.

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