Leonardo Forte discute o apequenamento do debate geopolítico brasileiro e a nova realidade semiótica da política nacional

Empresário Leonardo Forte

É realmente preocupante quando o debate político de uma nação do tamanho do Brasil começa a se resumir a símbolos, fotografias, gestos de aproximação internacional e marketing de imagem, enquanto questões estruturais continuam exigindo respostas urgentes.

Uma fotografia ao lado de Donald Trump pode gerar impacto emocional, repercussão nas redes sociais e exploração eleitoral. Isso acontece porque parte da política moderna deixou de ser construída apenas em propostas e passou a ser fortemente baseada em narrativa, percepção pública e guerra de imagem.

Tanto aliados de Luiz Inácio Lula da Silva quanto apoiadores de Jair Bolsonaro tentam transformar encontros internacionais em demonstrações de força política, influência e legitimidade perante seus eleitores. O problema é quando o debate nacional fica reduzido a isso.

O Brasil possui desafios enormes:

  • segurança pública;
  •  corrupção;
  •  infraestrutura;
  •  saúde;
  •  saneamento;
  •  educação;
  •  carga tributária;
  •  insegurança jurídica;
  •  crescimento da dívida pública;
  •  mobilidade urbana;
  •  geração de empregos;
  •  competitividade econômica.

Nenhum desses problemas será resolvido por fotografias, aplausos internacionais ou proximidade com líderes estrangeiros.

Existe também um componente psicológico e midiático muito forte nisso tudo. A política contemporânea funciona cada vez mais como espetáculo. A imagem passou a valer quase tanto quanto a gestão. Uma fotografia bem explorada nas redes cria sensação de poder, influência global e prestígio simbólico. Muitos eleitores interpretam isso emocionalmente, mesmo que, na prática, pouco mude na vida cotidiana da população.

Talvez a grande preocupação seja exatamente essa:
o risco de a próxima disputa presidencial brasileira ser dominada por marketing, polarização emocional, idolatria política e guerra de narrativas, enquanto os temas centrais do país continuam ficando em segundo plano.

Uma democracia madura deveria discutir: qual projeto econômico é sustentável; como combater privilégios; como melhorar a máquina pública; como enfrentar a corrupção; como preparar o Brasil para o futuro tecnológico; como reduzir desigualdades sem destruir produtividade; como garantir segurança jurídica e institucional.

Quando o debate se reduz a “quem tirou a melhor foto”, “quem foi recebido por quem” ou “quem demonstrou mais proximidade internacional”, existe um empobrecimento do nível político nacional.

O Brasil é grande demais para depender de culto de personalidade, seja de esquerda, direita ou qualquer outro grupo político.

Leonardo Forte!

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