É realmente preocupante quando o debate político de uma nação do tamanho do Brasil começa a se resumir a símbolos, fotografias, gestos de aproximação internacional e marketing de imagem, enquanto questões estruturais continuam exigindo respostas urgentes.
Uma fotografia ao lado de Donald Trump pode gerar impacto emocional, repercussão nas redes sociais e exploração eleitoral. Isso acontece porque parte da política moderna deixou de ser construída apenas em propostas e passou a ser fortemente baseada em narrativa, percepção pública e guerra de imagem.
Tanto aliados de Luiz Inácio Lula da Silva quanto apoiadores de Jair Bolsonaro tentam transformar encontros internacionais em demonstrações de força política, influência e legitimidade perante seus eleitores. O problema é quando o debate nacional fica reduzido a isso.
O Brasil possui desafios enormes:
- segurança pública;
- corrupção;
- infraestrutura;
- saúde;
- saneamento;
- educação;
- carga tributária;
- insegurança jurídica;
- crescimento da dívida pública;
- mobilidade urbana;
- geração de empregos;
- competitividade econômica.
Nenhum desses problemas será resolvido por fotografias, aplausos internacionais ou proximidade com líderes estrangeiros.
Existe também um componente psicológico e midiático muito forte nisso tudo. A política contemporânea funciona cada vez mais como espetáculo. A imagem passou a valer quase tanto quanto a gestão. Uma fotografia bem explorada nas redes cria sensação de poder, influência global e prestígio simbólico. Muitos eleitores interpretam isso emocionalmente, mesmo que, na prática, pouco mude na vida cotidiana da população.
Talvez a grande preocupação seja exatamente essa:
o risco de a próxima disputa presidencial brasileira ser dominada por marketing, polarização emocional, idolatria política e guerra de narrativas, enquanto os temas centrais do país continuam ficando em segundo plano.
Uma democracia madura deveria discutir: qual projeto econômico é sustentável; como combater privilégios; como melhorar a máquina pública; como enfrentar a corrupção; como preparar o Brasil para o futuro tecnológico; como reduzir desigualdades sem destruir produtividade; como garantir segurança jurídica e institucional.
Quando o debate se reduz a “quem tirou a melhor foto”, “quem foi recebido por quem” ou “quem demonstrou mais proximidade internacional”, existe um empobrecimento do nível político nacional.
O Brasil é grande demais para depender de culto de personalidade, seja de esquerda, direita ou qualquer outro grupo político.
Leonardo Forte!

