A mídia ocidental insiste em caricaturar o Irã como uma teocracia monolítica, intolerante e aprisionada a um dogmatismo imutável. Trata-se de uma simplificação conveniente e ideologicamente interessada. É evidente que o país não adota um modelo democrático nos moldes liberais ocidentais. Mas ignorar os mailenios de anos de história dessa civilização é, no mínimo, desonestidade intelectual. Só assim se sustenta a narrativa que tenta justificar pressões e ameaças externas, como as protagonizadas pelo governo Trump.
Desde a Revolução Constitucionalista de 1906, o povo iraniano trava uma luta persistente por soberania. Em 1979, a Revolução Islâmica pôs fim a um regime sustentado por repressão, tortura e execuções. O poder passou ao clero e, com ele, novas formas de opressão surgiram. Ainda assim, há um fato incontornável: o Irã jamais voltou a se submeter aos ditames do Ocidente. Esse é o ponto que incomoda. Trata-se de um povo que, com todas as suas contradições, demonstra um nacionalismo profundo e uma disposição inabalável de defender sua autonomia. Para os iranianos, a soberania nacional não é negociável e isso foi demonstrado mais uma vez.
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O que se vê é um país que resiste, que não se dobra, que enfrenta pressões sistemáticas dos Estados Unidos e de Israel sem abdicar de sua autodeterminação. Há, nesse processo, uma força coletiva que atravessa gerações e diferenças internas. A mobilização popular, com cidadãos comuns se organizando para proteger infraestrutura civil, revela um nível de engajamento que vai muito além de qualquer alinhamento ideológico: é a defesa concreta do próprio país contra o que percebem como ingerência estrangeira.
O Irã se fortalece justamente nesse sentimento de orgulho nacional. E isso expõe, por contraste, a fragilidade de certas posturas no Brasil. Aqui, há quem se apresente como “patriota” ao mesmo tempo em que acena com a entrega de recursos minerais estratégicos a potências estrangeiras, em troca de conveniência política. Isso não é pragmatismo, é submissão.
É urgente trazer esse debate para o centro da cena política nacional, especialmente em um ano eleitoral. Não se pode normalizar que um candidato à Presidência da República trate a soberania como moeda de troca. Transferir o controle de riquezas estratégicas para interesses externos não é desenvolvimento, é dependência.
É preciso dizer com todas as letras: entreguismo não é patriotismo. Esses “patriotas de ocasião” não hesitam em abrir mão da autonomia nacional para garantir alinhamento geopolítico. Isso tem nome, e não é defesa do país. Patriotismo de verdade é soberania. É independência. É compromisso com o interesse nacional, não com a conveniência de potências estrangeiras.