Espetáculo “Job”, com Bianca Bin e Edson Fieschi, chega à Paraíba e provoca reflexão sobre saúde mental e tecnologia

Montagem brasileira do premiado thriller da Broadway será apresentada no Intermares Hall, de sexta-feira a domingo, e aborda os impactos do ambiente digital, da exaustão no trabalho e da exposição nas redes sociais

Bianca Bin e Edson Fieschi estrelam 'Job'. (Foto: Divulgação)

O premiado espetáculo “Job”, sucesso da Broadway que ganhou versão brasileira com direção de Fernando Philbert, será apresentado neste fim de semana no Intermares Hall, em Cabedelo, com sessões na sexta-feira (27), às 21h; sábado (28), às 19h; e domingo (29), às 18h. Estrelada por Bianca Bin e Edson Fieschi, a montagem leva ao palco um suspense psicológico que discute os efeitos da vida digital, a exaustão provocada pelo trabalho e os impactos da tecnologia sobre a saúde mental.

Na trama, Jane, personagem vivida por Bianca Bin, trabalha como moderadora de conteúdo de uma grande empresa de tecnologia, função responsável por filtrar publicações e barrar conteúdos violentos ou impróprios nas redes sociais. Depois de sofrer um surto e ter esse momento filmado e viralizado na internet, ela é afastada do trabalho e precisa passar pela avaliação de um terapeuta, Loyd, interpretado por Edson Fieschi, para tentar retornar à função. A partir desse encontro, a peça constrói um embate psicológico marcado por tensão, choque de visões e questionamentos sobre ética, violência digital e responsabilidade humana.

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Em entrevista à repórter Cristiane Cavalcante, Edson Fieschi contou que conheceu a obra nos Estados Unidos e decidiu trazê-la para o Brasil após assistir à montagem original. “Job é um espetáculo que eu assisti na Broadway. Fiquei enlouquecido com a peça, comprei os direitos”, relatou o ator. Segundo ele, a força do texto está em abordar um tema urgente do presente. “É uma peça que fala muito sobre tecnologia, sobre internet”, resumiu.

Bianca Bin destacou que o espetáculo também a impactou por trazer ao centro da cena uma profissão pouco conhecida do grande público. “Essa profissão, moderação de conteúdo, eu nem sabia que existia. Aprendi lendo essa peça”, afirmou. Para a atriz, a montagem discute “ética, a nossa relação com o trabalho, a nossa relação com a própria tecnologia, com a saúde mental”, em uma narrativa que provoca o público a refletir sobre o modo como a vida contemporânea tem sido atravessada pelas telas.

A atriz explicou que a construção da personagem passou por pesquisa e contato com depoimentos de pessoas que atuam diretamente nesse universo. Um dos relatos mais marcantes, segundo ela, foi o de uma moderadora de conteúdo que passou a sentir repulsa ao contato humano após lidar continuamente com imagens violentas. “Depois que começou a trabalhar com isso, parou de conseguir cumprimentar as pessoas com toques, segurando na mão”, contou Bianca. Para ela, o mergulho nesse material revelou um ambiente profundamente tóxico. “É um submundo digital, um universo muito tóxico”, definiu.

Edson Fieschi afirmou que, no processo de construção do personagem, parte principalmente da força dramatúrgica do texto. “A gente analisa palavra por palavra”, disse o ator, ao destacar que o espetáculo se sustenta justamente no confronto entre duas visões de mundo. Na peça, Jane representa uma geração atravessada pela hiperexposição, pela urgência e pelo excesso de estímulos, enquanto Loyd encarna uma perspectiva mais antiga e racional. Esse choque amplia a tensão dramática e faz com que o público se veja diante de interpretações opostas, mas plausíveis, sobre o mesmo conflito.

Bianca observa que esse é um dos aspectos mais interessantes da montagem. “As duas narrativas fazem muito sentido”, afirmou. Segundo ela, a peça mantém a plateia em constante estado de dúvida. “O público fica se perguntando o tempo todo em que deve acreditar”, acrescentou. Essa ambiguidade ajuda a transformar o espetáculo em mais do que um thriller psicológico: faz dele também um retrato das incertezas que cercam o presente.

Outro ponto destacado pelos atores é a relação entre violência digital e anonimato. Para Edson Fieschi, esse é um dos temas mais inquietantes do texto. “O grande perigo da internet é o anonimato. Você não sabe quem é quem”, afirmou. Na avaliação do ator, esse mecanismo acaba protegendo a crueldade e encobrindo práticas violentas que circulam livremente no ambiente virtual. Bianca reforça essa percepção ao lembrar que esse tipo de violência não tem rosto definido. “Pode ser qualquer um”, disse a atriz, observando que a ameaça pode estar mais próxima do que se imagina.

Ao tratar de burnout, exposição extrema e adoecimento psíquico, “Job” também toca em debates cada vez mais presentes no cotidiano, como a pressão por desempenho, o trabalho permanente e a perda de limites entre vida profissional e vida pessoal. Bianca Bin afirmou que o espetáculo a fez repensar sua própria relação com a tecnologia. “Essa peça me fez repensar muito a minha própria relação com a tecnologia”, disse. Segundo ela, esse é o principal convite da montagem: levar o público a refletir sobre o uso que faz das ferramentas digitais e sobre os efeitos disso na saúde mental.

A peça também lança luz sobre o papel humano em um cenário cada vez mais automatizado. Ao mostrar que a última barreira entre conteúdos violentos e o público ainda é uma pessoa, a montagem coloca em debate questões como empatia, ética e responsabilidade. Para os atores, esse é um dos pontos centrais da história: em meio ao avanço da inteligência artificial e dos algoritmos, permanece insubstituível o olhar humano diante do que é certo, errado, cruel ou perigoso.

Escrito pelo norte-americano Max Wolf Friedlich, o thriller estreou em 2023 no circuito independente dos Estados Unidos, teve boa recepção de público e crítica, chegou à Broadway e passou a ganhar montagens em outros países. No Brasil, a peça foi traduzida por Alexandre Tenório e lançada em São Paulo no segundo semestre de 2025. A produção nacional é assinada por Borges & Fieschi Produções Culturais, com realização regional da Imaginária Entretenimentos.

No fim da entrevista, Bianca Bin e Edson Fieschi reforçaram o convite ao público paraibano. “A gente vai estar esperando vocês no Intermares Hall sexta, sábado e domingo”, disse Bianca. Edson completou com um apelo direto ao público da região: “Não tem desculpa pra não vir ver a gente no teatro neste fim de semana”.

Serviço
Espetáculo: Job
Local: Intermares Hall, BR-230, Cabedelo
Datas e horários: sexta-feira (27), às 21h; sábado (28), às 19h; domingo (29), às 18h
Ingressos: à venda no Sympla
Valores: de R$ 60 a R$ 200
Benefícios: ingresso solidário com 50% de desconto mediante doação de 1 quilo de alimento não perecível e descontos para clientes Vivo pelo programa Vivo Valoriza.

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