A Justiça da Paraíba marcou para 5 de maio a audiência de instrução do policial militar Thiago Almeida Filho, réu por duplo homicídio qualificado no caso que terminou com as mortes de Guilherme Pereira e Ana Luiza, durante uma abordagem policial no bairro do Muçumagro, em João Pessoa, em 2024. O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, e o policial é réu desde setembro de 2025.
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A audiência será a primeira etapa de instrução do processo, fase em que o Judiciário começa a ouvir testemunhas e analisar elementos reunidos ao longo da investigação criminal. Paralelamente à ação penal, segue em curso um procedimento administrativo na Corregedoria da Polícia Militar para apurar a conduta de Thiago Almeida Filho e de outros quatro policiais que participaram da ocorrência. Até aqui, os demais militares não respondem criminalmente pela morte do casal.
O avanço do caso na esfera judicial ocorre depois de laudos periciais apontarem que Guilherme Pereira, que pilotava a motocicleta, foi atingido por um disparo na cabeça antes da colisão. O exame do Instituto de Polícia Científica identificou perfuração transfixante no crânio e também constatou que o capacete usado pela vítima foi perfurado pelo projétil, reforçando a conclusão de que o tiro antecedeu a batida.
No relatório de indiciamento, a Polícia Civil apontou que a munição que atingiu Guilherme era semelhante à usada em fuzis da PMPB. O documento também registra que dois policiais envolvidos na ação informaram, em depoimento, que portavam fuzis naquele dia. A investigação sustentou que o disparo atingiu o jovem na cabeça, provocou a perda de controle da moto e levou à colisão.
No caso de Ana Luiza, que estava na garupa, o laudo pericial concluiu que a morte foi provocada por forte pancada na cabeça decorrente do impacto. O exame não encontrou projéteis nem fragmentos de munição no corpo da jovem.
Relembre
O caso ocorreu na madrugada de 30 de novembro de 2024. Na versão inicial apresentada pela Polícia Militar, as equipes se deslocavam para averiguar uma festa irregular na região da Praia do Sol quando encontraram três motocicletas em alta velocidade. Uma delas foi abordada, enquanto as outras seguiram. A investigação posterior, porém, mudou o rumo do caso ao apontar indícios de homicídio no disparo que atingiu Guilherme.