Apesar do aumento de lojas, pesquisa revela que 56% das farmácias independentes tiveram queda na lucratividade

(Foto: Reprodução)

O aumento do número de farmácias no Brasil é um movimento que não passa despercebido pelos brasileiros. Dados do Sebrae apontam que o país tem mais de 124 mil farmácias e, até o final do primeiro semestre do ano passado, 5.814 pequenos negócios do segmento foram criados. No entanto, apesar da expansão, as farmácias independentes não veem o crescimento dos lucros.

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De acordo com o estudo “Visão 360º do mercado farmacêutico no Brasil – Um mapeamento das expectativas através dos seus principais agentes”, do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC), apenas 10% dos farmacêuticos independentes entrevistados registraram evolução do lucro no período entre 2020 e 2024.

Confira os principais resultados do levantamento:

Evolução do lucro (2020–2024):
  • 19% afirmaram que o lucro reduziu muito;
  • 37% reduziram pouco;
  • 34% relataram estagnação;
  • Apenas 10% tiveram crescimento (8% pouco, 2% muito).

(Considerando inflação acumulada de 35,3%)

Principais obstáculos para desempenho:
  • 42% apontaram aumento da concorrência;
  • 21% dificuldades de fluxo de caixa;
  • 15% aumento de custos;
  • 14% redução das margens de lucro.
Dificuldades futuras previstas:
  • 52% esperam aumento da concorrência;
  • 21% apontam redução de margens;
  • 14% redução de descontos;
  • 12% dificuldades na contratação de funcionários.
Estratégias para manter competitividade:
  • 47% ainda não definiram estratégia;
  • 14% planejam “comprar melhor”;
  • 11% reduzir custos;
  • 9% ampliar delivery;
  • 7% reformar a loja ou melhorar o mix de produtos.
Uso de programas de fidelidade:

Apenas 8% utilizam o cadastro de clientes para aumentar vendas, enquanto 92%, dos que usam, utilizam apenas para descontos.

Mudanças nas compras e parcerias:
  • 93% planejam aumentar uso de canais digitais;
  • 8% buscam mais parcerias;
  • Relações comerciais com fornecedores mostram que 41% mantêm parcerias baseadas em relações “Ganha-Ganha”.
Percepção sobre comportamento do consumidor:
  • 15% acreditam que clientes serão mais exigentes;
  • 27% que comprarão mais de forma não presencial;
  • 29% farão mais comparações de preços;
  • 46% não esperam mudanças significativas.

Principais conclusões

O estudo indica que 56% das farmácias tiveram lucro reduzido nos últimos quatro anos, principalmente devido à concorrência e ao fluxo de caixa. Entre esses, 77% ainda não definiram estratégias para crescer, o que evidencia uma dificuldade de transformar desafios em oportunidades. Por outro lado, 54% das farmácias com resultados positivos têm potencial para ampliar competitividade e ganhar participação de mercado.

Ao todo, participaram do estudo 2.200 proprietários de lojas não vinculadas à Abrafarma, distribuídos por todas as regiões do país. As entrevistas foram conduzidas por alunos de mestrado e doutorado, sob supervisão de professores, seguindo rigor metodológico que incluiu entrevistas presenciais, individuais e exploratórias, garantindo anonimato e foco na compreensão de desafios, percepções e estratégias de gestão.

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