Rui Leitão: A Guerra Ideológica contra a Universidade Pública

Centro de Tecnologia (CT) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Foto: Angélica Gouveia

O vídeo postado recentemente pela família do ex-jogador de futebol Túlio Maravilha, no qual afirma não concordar que a filha se matricule em uma universidade pública, integra uma ofensiva ideológica destinada a deslegitimar as instituições de ensino superior custeadas pelo Estado. Sob o argumento de preservar “valores familiares”, o casal reforça o velho e seletivo falso moralismo das elites, que veem na educação pública um espaço incômodo de crítica social e pluralidade de ideias.

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É cada vez mais evidente a existência de um projeto político para desmontar a universidade pública. Esse projeto não se limita ao discurso: materializou-se em cortes orçamentários sistemáticos, que provocaram asfixia financeira, comprometeram o custeio, os investimentos, a assistência estudantil e reduziram bolsas de pesquisa. Trata-se de uma ofensiva conduzida por lideranças da extrema direita, com apoio de setores da elite econômica e cultural, que pretendem submeter o ensino superior à lógica neoliberal, extinguindo a gratuidade e transferindo recursos públicos para instituições privadas.

Multiplicam-se ataques que tentam rotular as universidades públicas como ineficientes, irrelevantes e ideologicamente “doutrinadoras”. Recusam-se a reconhecer que nelas se produz a maior parte do conhecimento científico do país, que se desenvolvem pesquisas estratégicas e que se formam profissionais altamente qualificados. Esse negacionismo é político. Suas consequências são concretas: fuga de cérebros, sucateamento de laboratórios, dificuldades de permanência para estudantes pobres e um ambiente de intimidação que ameaça a liberdade de cátedra.

Os inimigos da universidade pública não toleram que ela seja espaço do contraditório e da crítica. Rejeitam a ideia de que ciência, tecnologia e conhecimento sejam instrumentos de emancipação social.

Declarações como as do casal Túlio Maravilha reforçam a narrativa de “doutrinação de esquerda” e “balbúrdia”, estigmatizando professores e pesquisadores e expressando a histórica aversão das elites brasileiras a uma universidade gratuita, inclusiva e crítica.

Defender a universidade pública é defender a soberania científica, a mobilidade social e a democracia. Enquanto instituição pública, ela não serve ao lucro, mas ao interesse coletivo. Atacá-la é atacar o futuro do país. Em síntese, esses ataques não são apenas contra as universidades, mas contra a própria democracia.

Rui Leitão

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