O litoral da Paraíba será incluído em um mapeamento inédito de recifes de coral por meio do projeto SER Corais, cujo contrato foi assinado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesta sexta-feira (13). A iniciativa faz parte do programa BNDES Azul e contará com R$ 5,5 milhões para atividades de pesquisa e análise ambiental. Sob execução do Instituto Nautilus, o projeto terá duração de três anos e visa fornecer dados precisos para a preservação da biodiversidade costeira.
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Na Paraíba, a área contemplada fica no município de Cabedelo, no Parque Estadual Marinho Areia Vermelha. Além do monitoramento, o projeto prevê oficinas técnicas, capacitação e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, contribuindo para proteção costeira, turismo e pesca.
O projeto realizará expedições de campo, coleta e análise de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes rasos distribuídos ao longo de cerca de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro. A iniciativa irá monitorar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, produzir mapas técnicos e relatórios científicos e desenvolver protocolos de restauração recifal.
A atuação do projeto será distribuída entre os estados de Alagoas (Japaratinga e Maragogi), Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além da Paraíba, refletindo a extensão das áreas recifais monitoradas e a relevância ambiental dos territórios.
O projeto apoiará ao menos dez unidades de conservação, prevê avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorar 28 espécies e realizar 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre os recifes brasileiros e subsidiar políticas públicas de conservação marinha.
A contratação, assinada nesta sexta-feira, marca o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral. “Os recifes de corais são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para a atividade pesqueira e turística. Com o projeto SER Corais, estamos fortalecendo a ciência brasileira e apoiando soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas. Também será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões.
“O BNDES Corais foi estruturado para combinar conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. Este projeto mostra como é possível proteger os recifes e, ao mesmo tempo, fortalecer comunidades costeiras e gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
A iniciativa também deve gerar empregos diretos e indiretos ao longo da execução, fortalecer a capacidade técnica de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira. O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Do ponto de vista social, a iniciativa amplia ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas. Para uma das fundadoras do Instituto Nautilus Fabiana Felix, a contratação representa a ampliação de uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal. “O SER Corais permitirá ampliar o monitoramento já realizado com o projeto Budiões, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental e focado nos peixes, para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração. É um avanço importante para a conservação dos recifes brasileiros”, afirmou.
A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), além de contribuir diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, 12, 13 e 14. Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça a atuação do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.