Na tarde desta terça-feira (3), o colegiado da Câmara Criminal do TJPB decidiu manter a prisão preventiva do Padre Egídio de Carvalho. O sacerdote, que atualmente cumpre a medida em regime domiciliar por questões de saúde, buscava a liberdade total ou a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.
O advogado de defesa, Luciano Santoro, sustentou que a manutenção da prisão preventiva seria desproporcional, destacando que o sacerdote já está privado de liberdade há mais de 800 dias sem que tenha havido um julgamento definitivo. A defesa alegou que o tempo transcorrido e a ausência de novos riscos justificariam a concessão de liberdade.
O relator do processo, desembargador Ricardo Vital de Almeida, rejeitou os argumentos da defesa. Em seu voto, o magistrado enfatizou a gravidade das acusações e a posição hierárquica de Egídio na suposta organização criminosa investigada pela Operação Indignus, que apura desvios milionários no Hospital Padre Zé.
Um ponto determinante para a manutenção da prisão foi uma denúncia recente do Ministério Público. Segundo as investigações, o padre teria utilizado advogados para burlar a justiça, recebendo aluguéis de imóveis que estão sob investigação e bloqueio judicial.
“A situação é objetivamente mais complexa e grave dada a multiplicidade de feitos e a posição hierárquica na organização criminosa. Há a necessidade de evitar a reiteração delitiva, risco reforçado por notícias de novas condutas ilícitas mesmo durante a prisão domiciliar”, pontuou o relator.
Os desembargadores Márcio Murilo da Cunha Ramos e Joás de Brito Pereira acompanharam integralmente o voto do relator. Com isso, o Padre Egídio permanece em recolhimento domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
O caso segue em tramitação, com novas audiências de instrução e julgamento previstas para o final de fevereiro na 3ª Vara Criminal de João Pessoa. O sacerdote é acusado de crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa.