A Paraíba diante da omissão: quando representantes fogem da verdade

Empresário Leonardo Forte

Por Leonardo Forte

A democracia se sustenta em pilares básicos: representação, transparência e fiscalização. Quando um desses pilares é deliberadamente abandonado por aqueles que deveriam defendê-lo, o resultado é a erosão da confiança pública e foi exatamente isso que ocorreu com a atuação da bancada federal da Paraíba no episódio envolvendo a tentativa de instauração de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master.

Trata-se de um escândalo financeiro de grandes proporções, com indícios que ultrapassam o sistema bancário e alcançam setores sensíveis do Judiciário, do Executivo e do Legislativo. Diante de fatos dessa gravidade, não se espera condenação prévia, mas algo muito mais elementar: investigação. A CPI é um instrumento constitucional para isso. Votar contra sua instalação é, no mínimo, optar pela escuridão em vez da luz.

Ainda assim, a quase totalidade dos deputados federais da Paraíba votou contra a CPMI. Apenas um parlamentar, Cabo Gilberto, posicionou-se favoravelmente à apuração dos fatos. O contraste não poderia ser mais eloquente.

A decisão da maioria da bancada levanta uma questão inevitável, que não pode ser silenciada nem tratada como exagero retórico: por que impedir a investigação? Em uma democracia madura, quem se opõe à apuração de suspeitas tão graves tem o dever de explicar suas razões com absoluta clareza. O silêncio, nesse contexto, não é neutro é comprometedor.

Não se trata de disputa ideológica, alinhamento partidário ou cálculo eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Deputados não são eleitos para proteger estruturas de poder, mas para fiscalizá-las. Quando renunciam a esse dever, rompem o contrato moral com o eleitor.

A Paraíba, historicamente marcada por participação política ativa e senso crítico aguçado, não pode naturalizar esse tipo de comportamento. Representação não é privilégio pessoal nem salvo conduto institucional. É mandato temporário condicionado à lealdade ao interesse público.

O episódio da CPMI do Banco Master precisa servir como divisor de águas. O eleitor tem o direito e o dever de lembrar quem escolheu investigar e quem escolheu obstruir. A renovação política não é um slogan vazio; é uma necessidade concreta quando a representação falha de forma tão evidente.

O futuro da democracia passa pela coragem de questionar, apurar e corrigir rumos. Quando representantes se recusam a cumprir esse papel, cabe à sociedade fazê-lo por meio do instrumento mais legítimo que possui: o voto.

A Paraíba merece representantes que não temam a verdade.

Leonardo Forte é empresário do ramo imobiliário.

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