Atraso de repasses do MEC gera colapso na assistência estudantil da UFPB; residentes denunciam abandono

A comunidade acadêmica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) vive dias de incerteza e dificuldades financeiras. Uma nota oficial publicada pela reitoria nesta quinta-feira (15) confirmou que o Ministério da Educação (MEC) ainda não efetuou o repasse financeiro necessário para o pagamento dos auxílios estudantis de janeiro. O bloqueio de recursos atinge diretamente milhares de alunos que dependem desses valores para transporte, alimentação e moradia.

Residências no limite

Se para os alunos externos o atraso compromete o deslocamento, para quem mora nas Residências Universitárias o cenário beira o colapso. A estudante Liryel Araújo denunciou que os residentes estão enfrentando uma tríplice crise: falta de auxílio financeiro, problemas no acesso à alimentação e isolamento digital.

“Estamos sem RU (restaurante universitário), sem receber o valor de pecúnia cheio e sem internet nas residências RUMF e RUFET”, afirmou Liryel. Além do valor irrisório para o custeio das despesas de alimentação, a falta de conectividade nas moradias é outro ponto críticos, já que impede que os alunos realizem pesquisas e cumpram prazos acadêmicos e laborais, especialmente em um contexto onde o suporte financeiro para dados móveis também depende dos auxílios atrasados.

Resposta Institucional

A UFPB informou que a Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE) está “acompanhando atentamente as tratativas para a regularização da situação” junto ao governo federal. A universidade não deu um prazo exato para a normalização, condicionando o pagamento à efetivação do repasse por parte do MEC.

Enquanto a burocracia federal não se resolve, grupos de estudantes se mobilizam para dar visibilidade ao caso, buscando apoio da imprensa e de parlamentares. “A assistência estudantil não é apenas um auxílio, é o que garante que o filho do trabalhador permaneça na universidade”, pontuou outro estudante que preferiu não se identificar. A expectativa agora é que o Ministério da Educação libere os limites financeiros para que a UFPB possa quitar as pendências com os alunos ainda na segunda quinzena de janeiro.

Congresso cortou orçamento

O cenário de desassistência na UFPB é o primeiro reflexo prático do Orçamento Federal de 2026, aprovado com um corte linear de R$ 1,2 bilhão nas verbas das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Especificamente para a UFPB, estima-se uma redução de 12% nas verbas de custeio em comparação ao ano anterior, o que compromete o pagamento de contratos essenciais como os de fornecimento de internet e manutenção dos Restaurantes Universitários.

Além disso, o repasse para o PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil) sofreu uma defasagem real, não acompanhando a inflação do setor de alimentos, o que explica a dificuldade da instituição em manter o pagamento integral das pecúnias

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