Conselho de Segurança da ONU se reúne sob tensão após invasão dos EUA à Venezuela e captura de Maduro

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou, nesta segunda-feira (5), uma sessão de emergência convocada a pedido da Venezuela e da Colômbia para discutir a ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano.

A ação culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação que Washington classifica como “policial”, mas que diversos países e o secretariado da ONU denunciam como uma violação flagrante do Direito Internacional.

Durante a sessão, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, defendeu a intervenção, alegando que não se trata de uma “guerra”, mas sim do cumprimento de mandados de prisão por narcoterrorismo que pesam contra Maduro há décadas. Waltz comparou o episódio à captura de Manuel Noriega no Panamá, em 1989.

Em contrapartida, a China e a Rússia lideraram as críticas no Conselho. O representante chinês, Fu Cong, acusou os EUA de “atropelar a soberania venezuelana” e de agir como a “polícia do mundo”, exigindo a libertação imediata de Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia manifestado profunda preocupação, classificando a intervenção unilateral como um “precedente perigoso” que viola a Carta das Nações Unidas.

Posicionamento do Brasil

O governo brasileiro, representado pelo Itamaraty, reiterou sua condenação a operações militares unilaterais e expressou preocupação com a estabilidade regional. O Brasil defende o diálogo e a diplomacia como as únicas vias para a paz, ecoando o sentimento de outros países da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), que reafirmaram a região como uma “zona de paz”.

Enquanto o Conselho debatia em Nova York, o próprio Nicolás Maduro comparecia a um tribunal federal em Manhattan. Algemado pelos tornozelos e acompanhado por tradutores, o líder venezuelano declarou-se “inocente” das quatro acusações de narcoterrorismo apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Contexto da Invasão

A operação, batizada de “Absolute Resolve” pelo governo de Donald Trump, envolveu bombardeios aéreos em Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua na madrugada de sábado (3). Relatos indicam que pelo menos 40 pessoas, entre civis e militares, morreram nos ataques. Trump afirmou que os EUA pretendem supervisionar uma “transição” no país e indicou forte interesse no setor petrolífero venezuelano, afirmando que as maiores empresas de energia do mundo estarão envolvidas na reconstrução da indústria local.

Na ausência de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente em Caracas, sob um estado de exceção declarado pelas forças de defesa venezuelanas, que convocam a população a resistir ao que chamam de “agressão imperialista”.

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