A gestão pública é um dos temas presentes nos planos de governo dos seis candidatos ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026. Lucas Ribeiro (PP), Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL), Yuri Ezequiel (UP), Camilo Duarte (PCO) e Pedro Coutinho (DC) apresentam propostas que passam por digitalização dos serviços, gestão por resultados, valorização dos servidores, transparência, controle dos gastos e, em alguns programas, mudanças na estrutura e no papel do Estado na economia.
As diferenças aparecem principalmente na forma como cada candidatura propõe organizar a administração estadual. Enquanto alguns programas priorizam metas, indicadores, tecnologia e mecanismos de controle, outros defendem a ampliação da participação direta do Estado na prestação de serviços e na administração de setores considerados estratégicos.
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Lucas Ribeiro propõe modernização administrativa e capacitação de servidores
O plano de governo de Lucas Ribeiro prevê a atualização da política de gestão de pessoas, a realização de concursos públicos, reajustes salariais considerados fiscalmente sustentáveis e a modernização das carreiras do funcionalismo estadual.
A proposta também prevê ampliar a atuação da Escola de Serviço Público da Paraíba (ESPEP), com foco na capacitação tecnológica dos servidores, inovação no setor público e formação em liderança digital.
Outro eixo apresentado é a preparação dos servidores para a transformação digital. A candidatura propõe formação continuada em tecnologia, gestão digital e análise de dados.
Na área administrativa, Lucas também prevê mecanismos de monitoramento de desempenho, gestão patrimonial e fortalecimento da capacidade institucional. O programa inclui ainda o fortalecimento do Portal da Transparência e a ampliação do programa Paraíba Digital.
O plano também cita a preparação do Estado para os efeitos da Reforma Tributária, com modernização dos serviços tributários e da inteligência fiscal.
Cícero Lucena aposta em metas, governo digital e municipalismo
A proposta de Cícero Lucena concentra parte das medidas na adoção de mecanismos de acompanhamento e avaliação da administração estadual.
Entre as propostas estão a definição de metas para cada secretaria, com monitoramento público e previsão de bônus por desempenho. O candidato também propõe a criação de um painel das obras paralisadas, acompanhado por um comitê de retomada e metas anuais de conclusão.
Na área de integridade, Cícero prevê um sistema estadual de Integridade e Compliance, com fortalecimento da Controladoria-Geral e integração de auditoria, corregedoria e ouvidoria em uma plataforma única.
O programa também prevê a digitalização integral das compras públicas, com uma central estadual, marketplace governamental e mecanismos de auditoria algorítmica dos gastos. A proposta inclui ainda a divulgação de dados públicos em tempo real.
Outro ponto é a criação de um superaplicativo para reunir serviços estaduais, tomando como referência a experiência de João Pessoa.
Pacto com os municípios
O plano de Cícero também estabelece uma proposta de articulação com os 223 municípios paraibanos. O chamado “Pacto Paraíba 223” prevê cofinanciamento, consórcios públicos e apoio técnico permanente, além da pactuação de metas regionais em áreas como saúde, água, estradas vicinais, educação, habitação e geração de renda.
A candidatura também propõe levar a agenda do primeiro escalão do Governo às diferentes regiões do Estado e utilizar as demandas coletadas na elaboração do PPA, da LDO e da LOA.
Para o funcionalismo, estão previstas novas estruturas de carreira, progressão por mérito, bônus por metas e calendário regular de concursos públicos. O programa também prevê a modernização da ESPEP.
Efraim Filho propõe Centro de Governo e contratos de gestão
Efraim Filho apresenta uma proposta baseada na integração entre as secretarias e na adoção de mecanismos de gestão por resultados.
O programa prevê a criação de um Centro de Governo para acompanhar o ciclo completo das políticas públicas, desde o planejamento até a entrega.
A candidatura também propõe metas pactuadas, identificadas e divulgadas publicamente. Segundo o plano, as secretarias deverão trabalhar com contratos de gestão e objetivos que serão avaliados periodicamente.
Na área de integridade, Efraim propõe estabelecer regras por lei e criar planos de integridade em todos os órgãos estaduais.
O programa também fala em uma chamada “transparência de segunda geração”, com disponibilização de dados capazes de responder às perguntas feitas pelos cidadãos, além do fortalecimento dos mecanismos de controle social.
Yuri Ezequiel defende maior presença direta do Estado
O plano de Yuri Ezequiel apresenta uma concepção diferente de organização da administração pública, com defesa da ampliação do controle estatal sobre setores considerados estratégicos.
A candidatura propõe a reestatização de empresas e o fim de novos leilões, parcerias público-privadas e concessões ao capital financeiro.
Na área de infraestrutura e transportes, o programa prevê a criação de uma Empresa Paraibana de Portos, Aeroportos, Rodovias e Ferrovias, com o objetivo de retomar a administração pública sobre os principais eixos logísticos do Estado.
Também está prevista a criação de uma empresa pública de transporte coletivo intermunicipal, com ligação entre as microrregiões e adoção do Passe Livre.
Para os municípios, o programa propõe empresas públicas de transporte nas cidades com mais de 50 mil habitantes, também com implementação do Passe Livre.
Outro ponto é a criação de uma Empresa Pública de Infraestrutura e Obras, com a proposta de substituir contratos com grandes empreiteiras.
O plano ainda defende o fim das Organizações Sociais e da terceirização de serviços públicos, além da retomada do controle público sobre setores considerados fundamentais.
Pedro Coutinho combina digitalização, metas e controle de despesas
Pedro Coutinho apresenta entre suas propostas a digitalização progressiva dos serviços estaduais para reduzir filas, uso de papel e deslocamentos dos cidadãos.
A ideia é ampliar o número de serviços que podem ser realizados digitalmente, com acesso por dispositivos móveis.
Outro eixo é uma política permanente de controle de despesas, transparência, integridade e combate ao desperdício.
O programa estabelece ainda que os grandes programas estaduais deverão ter metas, indicadores e mecanismos de avaliação, vinculando a avaliação da administração aos resultados entregues.
Servidores e inovação
Para o funcionalismo, Pedro Coutinho propõe capacitação, modernização das carreiras e melhoria das condições de trabalho, combinadas com critérios de mérito, eficiência e qualidade na prestação dos serviços.
O plano também inclui ciência, tecnologia e inovação como instrumentos de aproximação entre universidades, institutos de pesquisa, empresas e governo.
Na relação com os municípios, a candidatura propõe um pacto de desenvolvimento baseado em planejamento, cooperação, metas e respeito à autonomia municipal.
O programa ainda prevê políticas diferenciadas para as regiões do Litoral, Brejo, Agreste, Cariri e Sertão, considerando as diferentes vocações econômicas de cada território.
Camilo Duarte apresenta diretrizes nacionais do PCO
O documento apresentado por Camilo Duarte, do PCO, segue as diretrizes nacionais do partido e, conforme o conteúdo registrado, não apresenta um conjunto específico de medidas estruturadas exclusivamente para a administração estadual da Paraíba.
O programa defende a ampliação dos recursos destinados aos serviços públicos, a preservação da estabilidade dos servidores, o combate às terceirizações e a realização periódica de concursos públicos.
O documento também defende a revogação de medidas que, segundo o PCO, reduziram direitos trabalhistas e a reversão de privatizações. Entre as diretrizes nacionais estão ainda o fim do teto de gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal, além da defesa de maior participação dos trabalhadores na gestão de fundos e empresas públicas.
Por se tratar de um programa nacional do partido, as propostas apresentadas não detalham políticas administrativas específicas para a estrutura do Governo da Paraíba.
Diferentes concepções para a administração estadual
Os programas apresentados pelos seis candidatos mostram diferentes concepções sobre a organização do poder público.
Lucas Ribeiro concentra propostas em gestão de pessoas, capacitação, transformação digital, transparência e modernização administrativa. Cícero Lucena acrescenta metas por secretaria, mecanismos de integridade, digitalização das compras e uma estratégia de maior articulação com os municípios.
Efraim Filho propõe um modelo centrado em um Centro de Governo, contratos de gestão, metas públicas e mecanismos de integridade. Pedro Coutinho também prioriza digitalização, metas, controle de despesas, valorização dos servidores e inovação.
Já Yuri Ezequiel apresenta uma proposta de maior participação direta do Estado na infraestrutura, no transporte e na prestação de serviços, com reestatização e criação de empresas públicas.
No caso de Camilo Duarte, o programa apresentado pelo PCO tem caráter predominantemente nacional e prioriza a defesa do serviço público, dos servidores e de políticas de estatização.
As propostas integram os documentos apresentados pelas candidaturas para as eleições de 2026 e refletem diferentes abordagens para a organização, o funcionamento e o papel da administração pública estadual.

