O exame odontológico realizado para determinar a idade do suspeito da morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel de João Pessoa teve resultado inconclusivo. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (29) pelo diretor do Instituto de Medicina Legal (IML), perito médico Flávio Fabres.
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Sem a comprovação da maioridade, o investigado continuará tratado como adolescente de 17 anos. Ele permanece em uma ala destinada a menores de idade na carceragem da Polícia Civil, enquanto aguarda os procedimentos judiciais.
A perícia analisou a erupção dos terceiros molares, conhecidos como dentes sisos. No entanto, os elementos dentários não estavam completamente expostos, o que impediu uma estimativa conclusiva.
“Como ele está na transição da maioridade, infelizmente, com o exame não foi possível estabelecer maioridade do indivíduo, então o exame restou inconclusivo”, explicou Flávio Fabres.
Segundo o perito, o resultado não altera a condução adotada pela Polícia Civil.
“Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele”, afirmou.
A investigação reunirá documentos apresentados por familiares e outros registros do histórico do suspeito para comprovar oficialmente a idade. O material será encaminhado ao Ministério Público e à Justiça.
Defesa diz que adolescente admitiu ter provocado a morte
O adolescente se apresentou à Polícia Civil na segunda-feira (27), em Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado de um advogado. Ele foi ouvido e transferido para João Pessoa na terça-feira (28).
Segundo a defesa, o investigado admitiu ter usado o fio de um secador de cabelo para estrangular Washington Rodrigo. Ele alegou que pretendia apenas deixar a vítima desacordada para sair do quarto e afirmou ter temido que o encontro íntimo entre os dois fosse exposto.
A Polícia Civil informou que o encontro foi marcado por meio de uma plataforma na internet. Durante o depoimento, o adolescente relatou que usou uma pistola de airsoft para obrigar Washington a fornecer a senha do celular. O suspeito teria algemado a vítima sob o pretexto de uma prática íntima.
A pistola de airsoft e as algemas foram apreendidas durante a investigação. O adolescente também teria utilizado um documento falso para se hospedar no estabelecimento.
O delegado Paulo Nilo, responsável pela oitiva realizada em Caicó, afirmou que o adolescente apresentou contradições.
“Ele tem uma oratória muito boa, então assim, ele articulou os fatos, porém, vez ou outra, deixava cair em alguma contradição”, declarou.
Adolescente possui 17 boletins de ocorrência
O superintendente da Polícia Civil da Paraíba, delegado Cristiano Santana, informou que o adolescente possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte.
Os registros envolvem atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça e lesão corporal em contexto de violência doméstica. Segundo a polícia, o investigado também já passou por internação em uma unidade socioeducativa.
Washington Rodrigo morreu por asfixia
Washington Rodrigo foi encontrado morto por uma funcionária do hotel na sexta-feira (24), no bairro de Manaíra. O corpo estava sobre a cama, com as mãos algemadas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.
O IML apontou a asfixia como causa da morte. A perícia também encontrou sinais compatíveis com tortura, mas a confirmação depende da conclusão do laudo.
Segundo a Polícia Civil, o adolescente saiu do Rio Grande do Norte para encontrar Washington em João Pessoa. Os exames laboratoriais complementares solicitados pela perícia ainda não foram concluídos.
