O policial militar afastado após aparecer em vídeo agredindo o jovem Johnny Palmeira, de 18 anos, no Parque do Povo, em Campina Grande, apresentou uma versão sobre o caso em um áudio que passou a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens. A agressão ocorreu durante o São João, na sexta-feira (5), e deixou o jovem com ferimentos na boca, oito pontos e um dente quebrado.
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No áudio, cuja autenticidade ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Militar, o agente afirma que a gravação divulgada mostra apenas parte da ocorrência. Segundo ele, a atuação aconteceu durante uma confusão generalizada perto do palco.
“É um vídeo cortado que mostra só a parte que eu chego junto dele. Houve uma briga gigante na frente do palco que abriu uma roda. Ficou uma turma de um lado e outra do outro, disputando socos. A nossa função era identificar alguns agressores que iniciaram a confusão, neutralizar essas pessoas e botar pra fora. Esse rapaz era um dos indivíduos que a gente estava procurando porque, segundo o que presenciamos, estava envolvido diretamente na briga”, afirmou.
O policial também alegou que Johnny teria participado da confusão.
“Esse rapaz que a gente neutralizou estava batendo em mulheres, empurrando pessoas, brigando e embriagado. Tenho relatos, testemunhas e mensagens de pessoas dizendo que ele bateu em uma mulher durante a confusão. Ele era um dos indivíduos que estávamos tentando localizar porque foi facilmente identificado pelas características da roupa e pelo comportamento durante a briga”, disse.
O agente defendeu a abordagem registrada nas imagens.
“Foi feito o trabalho que precisava ser feito. O vídeo mostra apenas um momento da ocorrência e não mostra o que aconteceu antes nem o que aconteceu depois”, acrescentou.
Vítima nega envolvimento na briga
Em entrevista após a repercussão do caso, Johnny Palmeira afirmou que tentou se afastar do tumulto e que a confusão já havia acabado quando foi abordado pelo policial.
“Tinha um povo, que eu não sei quem era, que acho que arrumou confusão e afastaram. Eu afastei o máximo que eu pude. Meus amigos ficaram atrás do povo. Só que a confusão já tinha acabado e a polícia veio lá de trás. Ele apontou para mim e falou ‘é você’. Ele já chegou batendo. Não deu tempo de eu fazer nada”, relatou Johnny.
As imagens divulgadas nas redes sociais mostram o policial se aproximando do jovem e desferindo socos e uma joelhada. Johnny cai no chão e depois recebe ajuda de pessoas que estavam próximas. No vídeo, ele não reage às agressões.
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Após a agressão, o jovem foi levado a equipes do Corpo de Bombeiros que atuavam no evento e, em seguida, encaminhado ao Hospital Dom Luiz Gonzaga Fernandes. Ele relatou dificuldades para comer e falar por causa das lesões. “Estou com dificuldades para comer. Tô melhorando, mas um dia atrás não estava nem conseguindo falar”, declarou.
A família de Johnny informou que pretende processar o policial. A defesa do jovem avalia que o caso pode ter desdobramentos nas esferas administrativa, criminal e cível, a depender das conclusões da apuração e da gravidade das lesões.
Investigação
A Polícia Militar informou que abriu procedimento para apurar as circunstâncias da ação e afastou o policial das atividades operacionais enquanto as investigações seguem. A defesa do agente afirmou que acompanha o caso, disse que ele tem 11 anos de serviço na corporação e informou que não há registro de processos ou punições disciplinares contra o policial.
