A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação ARGOS, considerada a maior ofensiva dos últimos anos contra o narcotráfico interestadual com atuação na Paraíba. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e resultou na desarticulação da cúpula de uma organização criminosa apontada como a principal fornecedora de entorpecentes para todo o estado e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
A operação mobilizou mais de 400 policiais civis e contou com o apoio do GAECO do Ministério Público da Paraíba, além de unidades especializadas como GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam e as Delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande. Em São Paulo, houve suporte da Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio do DENARC e de unidades do DEIC em São Bernardo do Campo e Piracicaba, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e de Mato Grosso.
Investigação teve início em 2023
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram em meados de 2023, após uma sequência de apreensões recordes de carregamentos de drogas em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência indicou que todas as cargas pertenciam a um único fornecedor: Jamilson Alves Franco, conhecido como “Chocô”.
A partir da análise de aparelhos celulares apreendidos e da quebra de sigilos bancários, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa com forte poder financeiro, descrita como uma “holding do crime” com atuação interestadual.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
Natural de Cajazeiras (PB), Franco teria migrado ainda jovem para São Paulo. Conforme a apuração, ele ascendeu dentro do sistema prisional paulista ao estabelecer conexões com o núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), instância responsável por diretrizes operacionais e disciplinares da facção.
Com a estrutura logística obtida a partir dessas conexões, “Chocô” teria se consolidado como principal distribuidor de cocaína e maconha para o Nordeste. A investigação aponta que o grupo movimentou valores expressivos e acumulou patrimônio de alto padrão, incluindo veículos esportivos e imóveis de luxo. As apreensões realizadas ao longo da apuração teriam causado prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.
Núcleo financeiro
A investigação também identificou um suposto núcleo responsável pela lavagem de dinheiro. Entre os nomes citados está Giovanna Parafatti, ex-bancária, apontada como responsável por movimentar mais de R$ 15 milhões por meio de uma holding familiar e de uma empresa de fachada. De acordo com a polícia, familiares eram utilizados para pulverizar recursos e adquirir bens para integrantes da cúpula.
Outra investigada é Naiara Batistelo, médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Segundo a apuração, ela teria recebido mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses, atuando como elo financeiro na região de fronteira. A suspeita é de que tenha sido utilizada como “laranja” em operações ligadas ao tráfico transfronteiriço de cocaína.
Significado da operação
O nome ARGOS faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido como o gigante de cem olhos que nunca dormia completamente. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza a atuação permanente e estratégica das forças de segurança no monitoramento do crime organizado.

Foto: Reprodução/Polícia Civil PB
A corporação informou que as investigações continuam para aprofundar a responsabilização criminal dos envolvidos e identificar outros possíveis integrantes da organização.