O boom da energia solar na Paraíba: entre o barateamento da tecnologia e os novos desafios do setor

Queda nos preços dos equipamentos e linhas de crédito de R$ 3,3 bilhões do BNB impulsionam o estado, que já conta com mais de 8,6 mil sistemas ativos.

(Foto: Reprodução)

Desde 2016 o mercado de energia solar vem crescendo em grande escala no Brasil, especialmente na Paraíba. No ano passado, de janeiro a novembro, o estado esteve entre os estados que mais aumentaram o uso de energia solar do país – com um salto de 5,6% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Nacional de Energia Solar.

Ao todo, o estado conta com 8.670 sistemas de energia solares residenciais e comerciais ativos, além de apresentar o quarto maior crescimento do país. Somado a isso, a Paraíba também atingiu o marco de 90.760,38 kW de capacidade total de geração no ano passado, indicando que os consumidores paraibanos estão cada vez mais produzindo a própria energia.

Motor da expansão

Além de ter um dos maiores índices de irradiação solar do Brasil, a Paraíba conta com outros motores que impulsionam a procura e a aderência dos consumidores. Em nível nacional, o país teve uma queda de 7,5% nos preços das placas e inversores – impactando diretamente o consumidor final.

“É notório a baixa nos preços dos equipamentos, sempre que o setor tem incentivos governamentais é perceptível verificar que os preços caem para o consumidor final, podendo deixar os preços ainda mais em conta”, explicou Aline Rosa, gerente comercial da Engeselt.

Somado a isso, programas de financiamento auxiliam a ampliação do acesso à tecnologia. O Banco do Nordeste (BNB), através do Programa de Financiamento à Micro e Minigeração Distribuída de Energia Elétrica e Sistemas Off-grid (FNE Sol), faz parte dessa movimentação.

Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, o BNB informou que o programa FNE prevê investimentos de R$ 3,3 bilhões para a Paraíba neste ano – incluindo o setor de energias renováveis.

Crédito facilitado e juros baixos

Um dos pilares que sustenta o otimismo do setor é a estabilidade das taxas de juros do BNB. Diferente das linhas de mercado, o FNE Sol não é atrelado à Selic. Por utilizar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o programa opera com taxas entre 6,5% e 11% ao ano, corrigidas pelo IPCA e beneficiadas por bônus de adimplência.

Outro diferencial é a carência de até seis meses para pessoas físicas e 12 meses para empresas. Esse prazo permite que o sistema comece a gerar economia na conta de luz antes mesmo do pagamento da primeira parcela do financiamento.

Além disso, para facilitar o acesso de pequenos e médios empreendedores, o banco permite que os próprios equipamentos (placas e inversores) sejam usados como garantia do empréstimo para operações de até R$ 300 mil.

Viabilidade e Retorno

Mesmo com as mudanças regulatórias iniciadas em 2026, que preveem o pagamento de 60% da taxa de distribuição (Fio B) pelos consumidores, o investimento segue atrativo. Segundo a gerente comercial da Engeselt, Aline Rosa, embora o aumento da taxa impacte o tempo de retorno, ele não inviabiliza o sistema.

Enquanto o custo para quem produz a própria energia subiu cerca de R$ 0,20, a energia cobrada de clientes comuns também sofreu reajuste, em torno de R$ 0,12, mantendo a competitividade da fonte solar.

Em cidades como João Pessoa e Campina Grande, um sistema residencial de médio porte (500 kWh/mês) tem se pagado em um intervalo que varia de 3,5 a 5 anos.

“O tempo de retorno está muito atrelado à forma de pagamento escolhida pelo cliente. […] A energia solar é um ativo muito importante e quando combinado com a venda de casas é possível agregar ainda mais valor no produto, já que está vendendo uma casa com economia em energia que é um meio que tende a ter um nível de consumo elevado”, explicou Aline.

Desafios e Conectividade

Apesar do cenário positivo, o setor nacional enfrenta gargalos na conexão de novos projetos. Na Paraíba, porém, o diálogo com a concessionária local tem sido produtivo. “A Energisa segue todos os prazos estabelecidos com precisão, na Paraíba não se tem tanto problema de negativa de projetos, apenas quando o projeto não é permitido por viabilidade técnica e recebemos todos os passos de normalizar”, afirma a gerente da Engeselt.

Para acelerar ainda mais o processo, o BNB informou que vem digitalizando etapas e permitindo a liberação do crédito em fases. Isso possibilita que o recurso seja desembolsado antes mesmo da conexão definitiva, desde que o projeto esteja aprovado.

Com essas estratégias, a Paraíba consolida sua posição como um dos polos de maior eficiência energética do país em 2026.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Ir para o conteúdo