O Ministério Público Federal (MPF) realizou, nesta sexta-feira (6), em João Pessoa, um ato inter-religioso envolvendo o padre Danilo César de Sousa Bezerra e a família Gil, representada por Gilberto Gil e Flora Gil. O ato simboliza o cumprimento de uma das condições do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado entre o MPF e o sacerdote acusado de fazer referências desrespeitosas às religiões de matriz africana ao comentar a morte da cantora Preta Gil.
Gilberto Gil utilizou o momento para agradecer a reparação e cumprimentar o padre por aceitar o acordo.
“Os nossos agradecimentos pelo ato de reparação a essa agressão que foi feita, a esse ato de injustiça perpetrado contra nós, contra toda nossa família, nossos amigos, todos os nossos parentes. Manifestar minha satisfação pelo fato de que a reparação está sendo feita, o reconhecimento da agressão da injustiça está sendo feito”, frisou Gilberto Gil.
“Ao padre, à sua paróquia, a todos que fazem sua vida religiosa dessa comunidade, também o nosso reconhecimento por essa proposta que está sendo feita. Eu espero que seja sincera e profunda, como é da nossa parte. Obrigado a todos que sigamos daqui para frente com mais compreensão e menos intolerância”, complementou.
Esposa de Gilberto Gil e madrasta de Preta, Flora Gil também agradeceu.
“Gostaria de agradecer a todos vocês. Eu acho que agora aqui se trata de intolerância. Intolerância é uma questão muito difícil de lidar. Intolerância só atrapalha e o mundo já está muito atrapalhado. Eu desejo a vocês saúde, paz e muito axé”.
O caso
Durante uma celebração, o padre Danilo César gerou controvérsia ao questionar a eficácia das orações de Gilberto Gil aos orixás pela saúde de sua filha Preta Gil.
Em sua fala, o sacerdote indagou: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”.
Diante da repercussão, o Ministério Público Federal e a família Gil notificaram o religioso, que assinou o ANPP.