O Folia de Rua, uma das principais marcas do pré-carnaval de João Pessoa, consolidou uma expansão territorial e artística que, segundo a organização, ajudou a popularizar a festa na capital e a fortalecer a cena local. Em entrevista ao Portal WSCOM, Jairo Pessoa, diretor operacional do Folia de Rua, afirmou que a associação atua no fomento aos blocos, na qualificação da programação e na ampliação de parcerias, ao mesmo tempo em que sustenta uma distinção entre o caráter cultural da festa de rua e o circuito de trios na Avenida Epitácio Pessoa, onde ocorre o Via Folia.
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“O Folia de Rua tem um papel central no fomento dos blocos associados, tanto na construção da capacitação e de estratégias de qualificação e ampliação da programação, de curadoria e inclusão de uma gama maior de artistas da cena paraibana, assim como da cena nacional. A gente vem avançando, ampliando nossa capacidade captação e de construção de parceiros, nas esferas municipal, estadual e federal”, afirmou.

Jairo Pessoa, diretor operacional do Folia de Rua.
Na avaliação do diretor, o Folia de Rua não criou a tradição carnavalesca local, mas serviu como impulso para um período em que manifestações tradicionais perdiam força. “O Folia de Rua não foi o fundador dessa cultura carnavalesca e pré-carnavalesca da cidade. Mas, as agremiações estavam minguando e o Folia de Rua deu um fôlego e impulsionamento ao pré-carnaval até porque o carnaval nos estados vizinhos é muito forte”, disse.
Jairo defendeu que o movimento cresceu a ponto de atrair novos grupos todos os anos e ampliar a presença nos territórios. “Hoje, é uma das maiores prévias carnavalescas do Brasil e todo anos surgem mais blocos porque ela inspira as pessoas a organizarem as manifestações culturais populares. Nós estamos em 22 bairros de todas as regiões da cidade, desde a periferia às áreas mais nobres”, ressaltou.
Um dos pontos centrais levantados por ele para sustentar a importância do projeto está na participação de artistas paraibanos na grade. “A gente tem mais de 70% da nossa programação feita por artistas locais. Somando-se a orquestras e grupos de cultura popular, chegamos a mais de uma centena de contratações de artistas locais na cena que, frente a 18 atrações nacionais, é um número 5 vezes maior”, disse.
Ao diferenciar o Folia de Rua do Via Folia, Jairo associou o circuito da Epitácio Pessoa a uma dinâmica mais voltada ao mercado de entretenimento, enquanto atribuiu ao Folia de Rua um papel de preservação e ampliação de referências comunitárias.
“A diferença é que a gente promove a democratização da cultura. Os espaços da Epitácio Pessoa a gente entende como importantes, mas são espaços de entretenimento, uma rede de negócios de entretenimento. A cultura está ligada visceralmente às histórias e à memória afetiva das pessoas, da interação com os brincantes, festividades comunitárias. Nós elevamos, fortalecemos e democratizamos os elementos originais da nossa cultura”, afirmou.
O diretor também apontou mudanças regulatórias e exigências formais como um dos principais desafios atuais para manter a festa e, ao mesmo tempo, renovar linguagens para públicos mais jovens. “Os desafios passam pela questão da profissionalização porque o sistema em sim exige uma qualificação maior. Antigamente, a gente fazia uma festa de rua e era só fechar a rua e fazer. Hoje em dia tem várias licenças, uma série de normativas e leis que precisamos seguir, o que dificulta os fazedores de cultura, exigindo que eles busquem uma qualificação e criando um leque de dificuldades. O Folia de Rua faz esse papel de viabilizar a qualificação”, disse.
“Quanto à renovação, temos esse desafio e cada ano a gente avança, diversificando e construindo uma programação multicultural, dando ênfase ao tradicional, ao que é original, mas também com uma pegada de modernidade sem perder a raiz e a autenticidade”, acrescentou.
Para 2026, Jairo afirmou que a associação projeta uma edição com foco em inclusão, acessibilidade e sustentabilidade, além de fortalecer parcerias para qualificação dos blocos.
“A gente espera fazer uma festa grandiosa, com muita alegria, inclusão, democratização, sustentável. Trabalhamos a inclusão com a programação em braile, intérpretes de libra, com nosso site inclusivo com todas as modalidades de acessibilidade, com banheiros inclusivos, com blocos específicos, atendendo a públicos variados, PCD, terceira idade, crianças. Pretendemos construir um plano decenal para o Folia de Rua para aí sim termos metas e objetivos.”, declarou.