Grandes varejistas escolhem a Paraíba para instalação de CDs; Fetranslog-NE e entregador explicam os desafios da movimentação

A Paraíba se torna peça-chave na logística do Nordeste com novos centros de distribuição. Conheça os desafios do setor.

(Foto: Reprodução)

Com uma posição geográfica estratégica, a Paraíba vive um momento econômico positivo não apenas para o turismo e o setor imobiliário, mas também para o mercado logístico. A consolidação dessa fase vem com a escolha da Região Metropolitana de João Pessoa por grandes players do varejo para a instalação de centros de distribuição.

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Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, o presidente da Federação de Transporte e Logística do Nordeste (Fetranslog-NE), Arlan Rodrigues, explicou que esse movimento é reflexo direto da ascensão do e-commerce.

Desafios do crescimento e frota

Embora o cenário seja positivo, o aumento massivo das entregas gera preocupações sobre a regularização das empresas operantes no estado, especialmente perante a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A alta demanda por entregas rápidas — nos modelos D+0 (mesmo dia) ou D+1 (dia seguinte) — encontra obstáculos como a utilização de veículos não credenciados. Arlan aponta que muitas entregas são realizadas por automóveis particulares sem o devido registro, prática que não conta com o apoio da federação. Além disso, ele destaca a dificuldade de renovação da frota devido aos preços elevados dos caminhões e às altas taxas de juros.

Capacitação e o Polo Logístico

A desvalorização da profissão de motorista é outro ponto de atenção. Para combater esse cenário, Arlan defende a capacitação através do SEST/SENAT, que possui polos em João Pessoa, Campina Grande e Cajazeiras.

“Nós temos em todas essas unidades simuladores de caminhões e de ônibus que permitem o treinamento em tempo real. Nós temos inclusive uma unidade móvel que ainda não consegue atender todas as unidades”, explicou.

O presidente também mencionou a possibilidade de o Senat realizar treinamentos de requalificação para motoristas das categorias D e E, através do projeto CNH Social do governo.

Segurança

Em relação a segurança dos motoristas e das cargas, Arlan explicou que a federação mantém um diálogo constante com o poder público, inclusive através de sua participação no Conselho Estadual de Trânsito.

“Um passo importante que a gente deu recentemente, nesse diálogo com o poder público, foi a implantação do polo logístico de transporte rodoviário de cargas que tá em vias de acontecer aqui no estado, mais especificamente na capital. O polo vai reunir praticamente todas as transportadoras da região metropolitana de João Pessoa”, antecipou.

“Isso fará com que os caminhões circulem menos nas áreas metropolitanas e só se dirijam à área metropolitana quando efetivamente tiverem fazendo entregas, porque estarão localizados num local adequado com segurança, com toda a infraestrutura. Isso é uma parceria público-privada entre o governo do Estado da Paraíba e o nosso sindicato”, concluiu Arlan, que também é presidente do SETCEPB.

O lado do entregador

Guilherme Lopes é entregador desde 2022 e afirmou que desde então a rotina de entrega na região metropolitana mudou com a chegada de novos marketplaces. Segundo ele, inicialmente havia exigências específicas para veículos utilitários e habilitação com atividade remunerada. No entanto, a falta de rotas diárias e a alta burocracia inicial geraram dificuldades para quem financiou veículos.

Ele afirma que a demanda por rotas diminuiu significativamente com a implementação de um projeto de hub que utiliza vans e caminhões para deixar produtos na casa dos entregadores.Isso resultou em menos dias de trabalho para muitos, impactando diretamente a renda dos motoristas.

Perfil do consumidor

Segundo Guilherme, os produtos mais entregues na Grande João Pessoa incluem sabão, cerveja, eletrodomésticos, celulares, fraldas, produtos de limpeza, higiene pessoal, itens para pets e livros.

Já os bairros com maior consumo são Miramar, Brisamar, Tambaú, Cabo Branco, Altiplano, Portal do Sol, Bairro dos Estados e Tambauzinho, onde as rotas podem ter entre 100 e 200 pacotes.

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