O novo valor do salário mínimo passou a vigorar nesta quinta-feira (1º), fixado em R$ 1.621. O reajuste representa um acréscimo de R$ 103 em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, equivalente a uma alta de 6,79%. Apesar de já estar em vigor, o pagamento com o valor atualizado será feito a partir de fevereiro de 2026.
Com o novo piso, o valor diário do salário mínimo passa a ser de R$ 54,04, enquanto a hora trabalhada corresponde a R$ 7,37. O aumento beneficia trabalhadores que recebem o mínimo ou valores atrelados a ele, além de alcançar programas sociais e benefícios previdenciários. Segundo estimativa do Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão renda direta ou indiretamente influenciada pela mudança.
O cálculo do reajuste segue a política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro, que ficou em 4,4%, e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para a definição do valor atual, foi incorporada a expansão de 2,5% do PIB de 2024.
Efeitos sobre aposentadorias e pensões
O novo piso altera automaticamente os benefícios do INSS pagos no valor de um salário mínimo. Aposentados e pensionistas nessa faixa passarão a receber R$ 1.621 nos depósitos realizados no fim de janeiro. Já quem recebe acima do mínimo terá reajuste apenas pela inflação, com base no INPC de 2025, que será divulgado no início de janeiro.
De acordo com o Dieese, aproximadamente 70,8% dos beneficiários da Previdência Social têm rendimentos vinculados ao salário mínimo. O impacto fiscal estimado do reajuste é de R$ 39,1 bilhões nas despesas previdenciárias ao longo de 2026.
Benefício de Prestação Continuada
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda, também acompanha o novo piso. O valor do benefício passa para R$ 1.621. Além disso, o critério de renda familiar per capita para acesso ao programa permanece atrelado ao salário mínimo: em 2026, o limite será de R$ 405,25, equivalente a 25% do piso nacional.
Abono salarial e seguro-desemprego
O reajuste influencia ainda o abono salarial do PIS/Pasep, cujo valor depende do salário mínimo vigente no momento do pagamento e do número de meses trabalhados no ano-base. Em 2026, os repasses começam em 15 de fevereiro, divididos em sete lotes. A previsão do governo é atender 26,9 milhões de trabalhadores, com um total de R$ 33,5 bilhões. Quem trabalhou durante todo o ano-base poderá receber o equivalente a um salário mínimo.
No caso do seguro-desemprego, nenhuma parcela pode ser inferior ao piso nacional, garantindo o valor mínimo de R$ 1.621. Os tetos do benefício ainda dependem de regulamentação específica. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.
Programas sociais e Cadastro Único
O aumento do salário mínimo altera também os critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico), porta de entrada para programas como Bolsa Família, Tarifa Social de Energia Elétrica e políticas habitacionais. O limite de renda mensal por pessoa sobe para R$ 810,50, equivalente a meio salário mínimo. Apesar disso, não há previsão de reajuste nos valores pagos pelo Bolsa Família em 2026.
Contribuições e crédito consignado
Microempreendedores individuais (MEIs) terão contribuições maiores ao INSS, já que a alíquota corresponde a 5% do salário mínimo. O valor mensal passa de R$ 75,90 para R$ 81,05. Para o MEI caminhoneiro, a contribuição sobe de R$ 182,16 para R$ 202,42, podendo chegar a R$ 207,42, conforme o tipo de carga e o destino. Outros benefícios previdenciários, como salário-família e auxílio-reclusão, também terão limites atualizados.
A elevação do piso amplia ainda a margem do crédito consignado. Como a legislação permite comprometer até 35% do salário ou benefício com empréstimos, a margem máxima passa para R$ 569,45, ante R$ 531,30 anteriormente.
Reflexos na economia
O Dieese estima que o novo salário mínimo deverá injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia em 2026, impulsionando renda, consumo e arrecadação. Entre os diretamente afetados estão 29,3 milhões de aposentados e pensionistas, 17,7 milhões de trabalhadores formais, 10,7 milhões de autônomos e 3,9 milhões de empregados domésticos.
Por outro lado, o reajuste amplia as despesas obrigatórias do governo. Segundo estimativas oficiais, cada aumento de R$ 1 no salário mínimo gera um custo adicional de aproximadamente R$ 380,5 milhões aos cofres públicos, reforçando o desafio fiscal de equilibrar políticas de valorização da renda com o controle dos gastos.
