A Paraíba se prepara para sediar mais uma edição do evento que promete unir história, ciência e gastronomia. O Portal WSCOM esteve presente, nesta quinta-feira (8), no lançamento do Brasil Cachaças 2026. Com uma programação robusta, o evento vai além da cachaça, unindo também os queijos e cafés paraibanos.
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Fernanda Melo (Foto: Portal WSCOM)
Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, a realizadora do evento, Fernanda Melo, revelou que neste ano a feira vai contar com cachaças de 14 estados, além da presença de mais de 20 rótulos da Paraíba.
“É uma edição totalmente inovadora. […] No dia 28 é o seminário, e nos dias 29 a 31 a feira acontece no Espaço Cultural, com cachaças de 14 estados já confirmadas e mais café e queijos da Paraíba também”, detalhou.
O evento, que tem raízes na região, destaca o protagonismo local. “Esse é um evento da Paraíba, nascido nordestino. […] A gente tem confirmadas 25 cachaças paraibanas. A gente tem a feira das melhores cachaças do Brasil e é claro que a Paraíba tinha que estar muito bem representada. A Paraíba hoje se destaca nacionalmente”, pontuou Fernanda.
Madeira e memória afetiva
A produção de cachaça na Paraíba carrega tanto rigor científico quanto tradição familiar. Uma das especialistas presentes no evento, Maria Clara Barros, compartilhou sua trajetória acadêmica voltada ao aperfeiçoamento da bebida.
Graduada em agronomia e sommelier de cachaças, ela analisou o mercado local e apontou quais madeiras dominam o envelhecimento dos destilados paraibanos.
“Aqui na Paraíba são muito consolidados a umburana e o carvalho. As cachaças importadas estão surgindo agora. E também o bálsamo, mas a mais consolidada hoje é umburana”, explicou.

Maria Clara Barros (Foto: Portal WSCOM)
“Então, o que eu escuto é que aqui hoje na Paraíba a umburana é mais consolidada porque antigamente nossos avós não tinham móveis de madeira de lei, que eram de cerejeira, e a cerejeira daqui da Paraíba era a umburana, que tem aquele aroma de flor. Aquele cheirinho bom de casa de avô. Aí na Paraíba se fixou como uma memória afetiva”, continuou a sommelier.
No entanto, o processo de envelhecimento exige alto investimento dos produtores, o que impacta diretamente o preço final da bebida.
“Influencia sim, porque cada barril tem um custo. Se você for comprar um barril de carvalho, ele é bem mais caro do que um barril de umburana. E também tem a questão do primeiro uso, porque o carvalho que a gente encontra muitas vezes é de barris que foram de whisky, porque o whisky só pode ser usado uma vez, aí depois a gente recompra para usar cachaça. Hoje você já encontra carvalho no primeiro uso para cachaça”, argumentou a especialista.
Além do custo de aquisição dos recipientes, há perdas físicas inevitáveis durante o armazenamento: “E também agrega valor e tem um custo maior porque uma barrica é 1.000, 1.200, pequena e você deixa ali dois ou três anos e tem a perda, né, que se diz hoje em média que é 20%, mas alguns casos são bem mais, porque varia da temperatura do lugar, se for mais quente vai a cachaça vai evaporar mais”.
Como alternativa ou complemento para a finalização de bebidas e criação de blends, a indústria utiliza fragmentos de madeira conhecidos como chips.
“Eles são tostados em máquinas semelhantes à máquina de café, com uma tostagem mais controlada. Aí o fabricante, ele coloca a nota que cada um vai trazer. O carvalho americano clássico, ele diz que traz mais notas de especiaria”, concluiu Maria Clara.
Salão do Queijo
Paralelamente à feira de cachaças, o 3º Salão do Queijo se consolida como um espaço de fortalecimento da agricultura familiar e da caprinocultura, setor no qual a Paraíba é referência nacional. A articulação com os produtores é um trabalho contínuo, como explicou o gerente de produção da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap), José Otávio Targino, ao Portal WSCOM.
“A articulação é feita porque durante todo o ano a gente [o estado] está junto com eles participando de diversas feiras e eventos ao longo do ano. E esse é o terceiro Salão do Queijo. E cada dia eles veem a importância da união, a importância do Salão do Queijo. Hoje nós temos um instituto, que é o Instituto Social Salão do Queijo, que cuida de todo mundo”, explicou.

José Otávio Targino (Foto: Portal WSCOM)
Essa união, de acordo com José Otávio, tem gerado frutos práticos para a sustentabilidade econômica das pequenas propriedades no semiárido.
“Aí a gente busca financiamento. O Salão do Queijo conseguiu junto ao Governo do Estado que o Empreender fizesse uma linha de crédito Empreender Rural para atender as pequenas queijeiras, pequenas casas de mel e produtores de ovo caipira. Então, esse é o olhar do estado para a pequena produção. Precisamos fazer com que o homem do campo no semiárido viva e viva com dignidade”, pontuou.
O maior marco desta edição será a realização de uma competição inédita no país, além do avanço na regularização sanitária dos produtos.
“E vamos ter pela primeira vez no Brasil, aqui no Salão do Queijo, o primeiro Capri Brasil, que é o primeiro concurso brasileiro de queijos de cabra. Isso vai ser fantástico. […] Então, o olhar do Brasil se volta para a Paraíba, para o queijo de cabra da Paraíba, e isso abre oportunidade para o nosso produtor. Nosso produtor hoje tem orgulho de dizer que é produtor de queijo de cabra. E vamos certificar esses queijos para eles também ter a garantia de estar legalizado. Isso tudo é o Salão do Queijo”, conluiu.
