“Foi a dor de uma bicha e de uma travesti que deu voz a essa matéria”, afirmou a deputada Erika Hilton sobre fim da escala 6×1

Além dela, o vereador do Rio de Janeiro e líder do movimento Vida Além do Trabalho, Rick Azevedo, relembrou a trajetória que levou o debate até o Congresso Nacional

Imagem: TV Câmara / Qualidade aprimorada por IA

A comissão especial na Câmara dos Deputados que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6×1 foi palco de discursos marcantes sobre as origens e a força popular por trás da medida. Durante as audiências de escuta com representantes de entidades sindicais e movimentos sociais, lideranças políticas e ativistas subiram à tribuna para defender a urgência da reformulação da jornada de trabalho no país e ressaltar o papel de grupos historicamente marginalizados na condução dessa pauta trabalhista.

O vereador do Rio de Janeiro e líder do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Rick Azevedo, relembrou a trajetória que levou o debate até o Congresso Nacional. Em uma fala contundente, ele pontuou que a discussão atual é fruto direto da indignação e do esgotamento da classe trabalhadora de base.

“Se nós estamos aqui agora discutindo o fim da escala 6×1, foi porque um balconista de farmácia, sucateado, negligenciado, explorado, adoecido, se levantou contra esse sistema escravocrata”.

Azevedo demonstrou forte indignação com a postura do parlamento, afirmando que o trabalhador “se levantou contra esse Congresso Nacional, que se coloca contra o povo o tempo todo”, e concluiu prometendo mudanças na representatividade política: “Faremos um limpa nesse Congresso. Colocaremos o povo aqui dentro”.

Diversidade e debates de classe no Parlamento

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposição, reforçou a análise sobre o protagonismo social na evolução do projeto de lei e destacou a conexão entre a luta de minorias e as pautas trabalhistas. A parlamentar ressaltou que a visibilidade da matéria decorre da união de forças historicamente discriminadas: “A matéria estava aí, mas foi a dor de uma bicha de balcão e a luta insistente de uma travesti que deu voz a esta matéria, que popularizou esta pauta”.

Hilton rebateu as críticas de que pautas de identidade enfraquecem a luta dos trabalhadores.

“Esta conquista também estará na conta do movimento LGBTQIA+, na conta da luta das mulheres, que muitas vezes é olhada como pautas que diminuem o debate de classe, que diminuem os debates prioritários, e agora somos nós, esses dissidentes, esta diversidade, que temos liderado e protagonizado esta matéria”.

Ela encerrou sua participação exigindo celeridade na aprovação do projeto: “É o fim da escala 6×1, sem redução salarial, pra já, com uma transição menor possível, porque o povo brasileiro espera isso desta Casa”.

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