Acusado de chamar funcionários de restaurante de “Paraíba”, Ed Motta diz ser “negro e gordo” e sem preconceito

Cantor admite ter arremessado cadeira, mas refuta acusações de injúria racial e xenofobia contra trabalhadores nordestinos do restaurante Grado

Foto: Jorge Bispo / Divulgação

O cantor Ed Motta prestou depoimento nesta terça-feira na 15ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, na Gávea, e negou ter cometido agressões ou proferido ofensas contra funcionários do restaurante Grado, na Zona Sul carioca, durante confusão registrada na madrugada do dia 2 de maio. A versão do artista contraria relatos de trabalhadores do estabelecimento, que afirmaram ao programa Fantástico, da TV Globo, ter sido alvo de xingamentos xenofóbicos durante o episódio.

O que diz Ed Motta

Em depoimento ao qual a jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, teve acesso, o cantor afirmou ter sido convidado por dois amigos para um jantar e ter escolhido o próprio Grado para a confraternização. O grupo chegou ao local com esposas e com os pais de um dos amigos, cada um levando duas garrafas de vinho.

Segundo Motta, a confusão começou quando a conta chegou com a cobrança da taxa de rolha — valor aplicado a clientes que levam bebidas próprias ao restaurante. O cantor afirmou que a cobrança o surpreendeu, pois “isso nunca ocorrera anteriormente”, e que se sentiu “chateado e desprestigiado”. Após conversar com o gerente, que explicou que a taxa seria cobrada porque a mesa estava cheia, o artista admitiu ter pegado uma cadeira e a arremessado ao chão — mas nega qualquer intenção de acertar pessoas.

“Extremamente chateado” e “ainda sob influência de emoção”, disse ter esbarrado em uma mesa próxima ao sair, sem perceber que a bolsa de uma das clientes havia caído. O músico afirmou que deixou o estabelecimento antes de a confusão se agravar e que soube dos acontecimentos seguintes apenas na manhã do dia 3.

Quanto às acusações de xenofobia, Motta as classificou como “sem qualquer fundamento” e disse “repudiar” a imputação. Destacou que “é neto de baiano e bisneto de cearense, possuindo amplo respeito pelos nordestinos”, e acrescentou que “é negro e gordo e repudia qualquer tipo de preconceito”.

O que dizem os funcionários

A versão dos trabalhadores do Grado diverge em pontos centrais. Em depoimento exibido pelo Fantástico, um funcionário do restaurante relatou que o cantor proferiu xingamentos com referências pejorativas à origem nordestina dos empregados durante a discussão.

“Começa os xingamentos, falando: ah, vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíba. Vai tomar no seu c…, seu filho da p…, paraíba, nunca mais eu volto aqui”, relatou o trabalhador. Os proprietários do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam divulgado nota apontando “condutas discriminatórias”, incluindo insultos ligados à origem nordestina de funcionários e insinuações sobre orientação sexual e vida privada.

Garrafa e seis pontos na cabeça

Mesmo após a saída de Motta, a confusão continuou. Um dos amigos do cantor aparece em imagens arremessando uma garrafa contra uma pessoa em mesa próxima. Uma das vítimas afirmou em depoimento à polícia ter levado um soco de um homem com sotaque português enquanto ainda estava sentada e, ao tentar deixar o local sem reagir, ter sido atingida na cabeça por uma garrafa lançada pelas costas. O cliente foi socorrido ao Hospital Samaritano, em Botafogo, onde recebeu seis pontos na cabeça.

As investigações apontam Nicholas Guedes Coppi, identificado como advogado, como suspeito de ter desferido o soco e arremessado a garrafa. Segundo relatos, ele teria desativado o perfil no Instagram após a repercussão do caso.

O episódio segue sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por meio da 15ª DP.

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