Por Filipe Andson: Mentor e Estrategista em Gestão
A nova camisa da Seleção Brasileira mal foi apresentada e já virou um campo de batalha. Críticas, memes e rejeição imediata tomaram conta das redes. Mas não foi sobre design. Nunca é só sobre design. Foi sobre identidade, pertencimento e, principalmente, sobre uma marca que parece ter se afastado de quem realmente a sustenta, o público.
A Seleção Brasileira não é apenas um time. Ela é um dos maiores símbolos culturais do país, um ativo emocional construído ao longo de décadas. Quando se mexe nisso, não se está apenas lançando um produto. Está se tocando na memória afetiva de milhões de pessoas. E é exatamente aqui que muitas empresas erram.
O problema não foi a camisa. Foi a leitura. Toda marca precisa evoluir, se atualizar e dialogar com o presente. Mas existe uma linha muito clara entre evolução e desconexão. O que estamos vendo é um erro estratégico clássico, reposicionar sem preparar, sem escutar e sem construir junto.
Quando a mudança chega como imposição, ela deixa de ser inovação e passa a ser rejeição. E isso não acontece apenas no futebol. Acontece todos os dias dentro das empresas.
Quantas marcas você já viu mudarem sua identidade visual e perderem reconhecimento? Quantas tentaram se modernizar e acabaram descaracterizadas? Quantas alteraram seu posicionamento e confundiram completamente o público?
O erro nunca está na mudança. O erro está em ignorar quem está do outro lado. Toda marca tem dono. E não é o CEO, não é o marketing, não é a agência. É o público.
Esse episódio deixa um alerta importante. Marca não é apenas estratégia, é sentimento. Você pode ter dados, pesquisas e tendências, mas se ignorar o vínculo emocional, você perde o jogo.
Mudança precisa de construção. Grandes reposicionamentos não são impostos, eles são conduzidos. Eles educam, envolvem e preparam o público ao longo do tempo.
Identidade não se rompe de forma abrupta. Marcas fortes evoluem sem abandonar suas raízes. Elas respeitam sua história ao mesmo tempo em que constroem o futuro. E escutar deixou de ser uma escolha. Hoje é uma questão de sobrevivência. Em um mundo onde todo mundo tem voz, ignorar a percepção do público é um risco estratégico alto demais.
No fim, não é sobre futebol. É sobre liderança de marca. É sobre entender que relevância não se impõe, se conquista. E que, em tempos de hiperconexão, a distância entre uma decisão e a rejeição nunca foi tão curta.
A camisa da Seleção pode até mudar. Mas a lógica continua a mesma para qualquer negócio. Quem não escuta o seu público, inevitavelmente será ignorado por ele.
Filipe Andson
Gestor e mentor com vasta experiência na transformação dos negócios por meio da Gestão e Liderança. Há 16 anos, faz parte do board diretivo de uma grande empresa varejista brasileira, atualmente como CDO do grupo, avaliador do Prêmio Ser Humano da ABRH e Partner do PMI como Vice-Presidente de Planejamento e Governança.
Criador do Framework Gestão Alto Impacto e escritor de livros sobre gestão e uso de Inteligência Artificial para gestores.
👉 Acesse: Seja um Líder Digital
ou fale comigo direto pelo WhatsApp: Clique Aqui
