O estrategista de marketing político Emerson Saraiva defende que a comunicação na política precisa voltar ao básico: a conexão entre pessoas. Em entrevista, ele afirmou que campanhas eficazes não são construídas em torno de cargos ou propostas isoladas, mas sim na capacidade de criar identificação com o eleitor.
Segundo Saraiva, o Nordeste se destaca nesse cenário por adotar uma abordagem mais relacional. “A política é feita de pessoas, e as pessoas votam em pessoas. Aqui, há uma compreensão mais natural disso, diferente de outros lugares que ainda focam muito na instituição ou no mandato”, explicou.
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O especialista também destacou o crescimento de profissionais da área na região, especialmente na Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia, consolidando o Nordeste como um polo relevante no marketing político digital.
Ao abordar o atual cenário político brasileiro, marcado por forte polarização ideológica, ele afirma que a polarização é fruto de um processo histórico e cultural. “Não adianta tentar nadar contra a corrente. O político precisa saber como usar esse cenário a seu favor, seja para ganhar visibilidade ou para apresentar alternativas”, afirmou.
Outro ponto levantado por Saraiva é a influência de diferentes grupos de interesse nas campanhas eleitorais, incluindo setores econômicos, religiosos e até o narcotráfico. Ele compara a atuação desses grupos à de segmentos tradicionais, como a construção civil, que também se mobilizam politicamente.
Para o estrategista, esse ambiente amplia a disputa pelo eleitor, que deixa de ser abordado apenas por candidatos e passa a sofrer pressão de diversos agentes. Nesse contexto, ele avalia que a Justiça Eleitoral enfrenta limitações para fiscalizar todas as irregularidades.
Saraiva ainda aponta quatro práticas que, segundo ele, comprometem a qualidade da política no país: compra de votos, tráfico de influência, cooptação de lideranças e manipulação de pesquisas. O que ele classifica como os “quatro cânceres” da política. “Se esses fatores fossem eliminados, o Brasil teria um cenário político semelhante ao de países como Finlândia e Suécia”, disse.
Diante dessas dificuldades, o especialista reforça que a estratégia deve ser atuar dentro da realidade existente. “A gente precisa jogar com as armas que tem. No meu caso, é a campanha digital, utilizando narrativas para ajudar políticos a se conectarem com as pessoas e romperem essas barreiras”, concluiu.