BRASIL 247 – Uma pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo, revela que a maioria dos brasileiros defende o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, em meio às suspeitas envolvendo o caso do Banco Master. Segundo o levantamento, 49,3% apoiam o afastamento imediato, enquanto outros 33,7% defendem a medida apenas após a comprovação de irregularidades.
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Os dados, publicados pelo jornal Estado de S. Paulo, indicam que mais de 80% da população considera necessária alguma forma de responsabilização do magistrado, evidenciando o impacto político e institucional das revelações recentes.
Pressão pública e desgaste institucional
A pesquisa aponta ainda que apenas 12,8% dos entrevistados são contrários ao impeachment de Toffoli, enquanto 4,1% não souberam opinar. O resultado reflete um cenário de crescente desgaste da imagem do STF junto à opinião pública.
Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Walter Maierovitch, o movimento é consequência direta das denúncias recentes. “É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e se existem indicativos, tem que ser apurado”, afirmou.
As críticas ao ministro se intensificaram após ele assumir a relatoria do inquérito envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em meio a suspeitas de fraudes financeiras.
Decisões controversas ampliam críticas
Desde então, decisões adotadas por Toffoli passaram a ser questionadas por investigadores e juristas. Entre elas, estão a determinação de manter materiais apreendidos sob custódia do STF, a realização de acareações em fase inicial do inquérito, a escolha direta de peritos e a imposição de prazos considerados curtos para análise de provas.
Segundo Maierovitch, essas medidas contribuíram para a deterioração da confiança pública. “Isso tudo gera esse descrédito”, declarou.
Ligações empresariais e novos elementos
Reportagens do jornal Estado de S. Paulo também revelaram conexões entre familiares de Toffoli e empreendimentos ligados a estruturas investigadas no caso. Irmãos do ministro teriam transferido participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo relacionado à Reag Investimentos, empresa associada a operações sob investigação.
O negócio foi realizado por meio da empresa Maridt, da qual o próprio Toffoli posteriormente admitiu ser sócio. O empreendimento envolveu ainda fundos ligados ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com valores estimados em R$ 6,6 milhões à época.
Além disso, um relatório da Polícia Federal, baseado em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro, levando Toffoli a deixar a relatoria do caso.
Repercussão política e ofensiva no Congresso
O episódio também teve forte repercussão no Congresso Nacional. Em fevereiro, senadores apresentaram pedidos de impeachment contra Toffoli, somando ao menos dez solicitações protocoladas.
Paralelamente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou medidas como a quebra de sigilos relacionados ao caso. No entanto, essas decisões foram posteriormente anuladas pelo ministro Gilmar Mendes, o que gerou críticas entre parlamentares.
Nesta semana, novas deliberações da CPI, que previam outras quebras de sigilo envolvendo o fundo Arleen, também foram suspensas, ampliando o embate entre Legislativo e Judiciário.
Avaliação negativa no STF
O levantamento AtlasIntel também evidencia o desgaste da imagem de Toffoli dentro do próprio STF. Apenas 9% dos brasileiros avaliam sua atuação como positiva, enquanto 81% a consideram negativa.
Gilmar Mendes também aparece com alta rejeição, com 67% de avaliação negativa e apenas 20% positiva.
A pesquisa ouviu 2.090 brasileiros entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários online, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os números reforçam um cenário de crise de credibilidade no Judiciário e indicam que o caso Banco Master se tornou um fator central no debate público sobre responsabilização de autoridades.