Vereadores da Câmara Municipal de Aguiar, no Sertão paraibano, estariam articulando a elaboração de um requerimento propondo uma série de “sanções” aos Estados Unidos. A medida dos parlamentares do interior paraibano seria uma reação às recentes declarações do governo norte-americano de que haveria na cidade a possível sede de um equipamento chinês de espionagem.
Conforme informações do Blog do Fábio Kamoto, os parlamentares estariam organizando um documento convocatório para que o presidente norte-americano Donald Trump preste esclarecimentos sobre as afirmações envolvendo o município.
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A articulação teria se iniciado após a divulgação do relatório do Congresso dos Estados Unidos sugerindo que haveria uma ligação do governo chinês com a área de pesquisa instalada na Paraíba. O documento apresenta preocupações estratégicas norte-americanas acerca da presença chinesa na América Latina.
O equipamento que gerou a polêmica é o radiotelescópio Bingo. Instalado em Aguiar, o aparelho é utilizado para estudos científicos voltados à observação do universo e à análise da energia escura. O relatório norte-americano intitulado “China no nosso quintal” foi elaborado pelo Comitê Seleto Sobre a Competição Estratégica Entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês.
Posicionamento do governo Paraibano
Após um relatório do Congresso dos Estados Unidos levantar suspeitas de um “uso dual” – civil e militar – do Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia em Radioastronomia, conhecido como Projeto Bingo, o Governo da Paraíba afirmou que está esperando um posicionamento oficial do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
O projeto está em fase de implantação no Sertão Paraibano e é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Segundo o relatório dos EUA, as tecnologias do projeto podem ter aplicações voltadas à inteligência militar, consciência situacional espacial e rastreamento de alvos. A preocupação se estende à participação do China Electric Science and Technology Network Communication Research Institute (CESTNCRI) no projeto, entidade descrita pelo documento como “profundamente integrada à base industrial de defesa da China”.