A comunidade internacional reagiu com preocupação e críticas aos recentes ataques militares realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, ampliando a tensão no Oriente Médio.
Nesta terça-feira, a China manifestou “extrema preocupação” com a ofensiva. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que “a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas” e exigiu a interrupção imediata das ações militares, o fim da escalada, a retomada do diálogo e esforços para preservar a estabilidade regional.
O ataque conjunto ocorreu logo após o encerramento das negociações nucleares indiretas entre Teerã e Washington, realizadas em Genebra, sem avanços significativos. A ofensiva também se deu em meio ao reforço da presença militar americana na região, o que ampliou a repercussão diplomática global.
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O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, que atuou como mediador das negociações nucleares, criticou a ação. Segundo ele, “nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz mundial são bem servidos por isso”, destacando os impactos negativos sobre os esforços diplomáticos.
Em Rússia, o presidente Vladimir Putin convocou reunião do Conselho de Segurança por videoconferência para tratar da crise. O chanceler russo, Sergey Lavrov, classificou os ataques como “ataque armado não provocado” e defendeu sua suspensão imediata, afirmando que Moscou está disposta a atuar no Conselho de Segurança da ONU em busca de solução diplomática.
Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, alertou que uma guerra aberta no Oriente Médio teria graves consequências para a paz e a segurança internacionais. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou o que classificou como ação militar unilateral, afirmando que a ofensiva representa escalada perigosa e risco de maior instabilidade global.
O governo do Reino Unido adotou tom mais cauteloso. Um porta-voz reiterou que o Irã não deve ter permissão para desenvolver arma nuclear e defendeu uma solução negociada. Já o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, declarou que “bombas e mísseis não são a forma de resolver divergências”, pedindo moderação e retomada das negociações.
Na América do Norte, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reiterou apoio aos esforços americanos para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, destacando a importância da preservação da paz internacional.
No Oriente Médio, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que o país não aceitará ser envolvido em conflitos que ameacem sua segurança e unidade.
Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, questionou a legalidade dos ataques israelenses, afirmando que ações classificadas como preventivas não se enquadram no direito internacional na ausência de ameaça iminente.
Em Teerã, a resposta foi dura. Um porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas prometeu represálias, qualificando Israel como “criminoso” e os Estados Unidos como “agressivo”. Segundo ele, o Irã dará “uma lição que eles nunca haviam experimentado em sua história”, ressaltando que os bombardeios ocorreram enquanto negociações diplomáticas ainda estavam em curso.
O cenário permanece instável, com risco de ampliação do conflito e pressão internacional por uma solução diplomática.